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{Relato de Parto} Mãe de UTI 

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A espera de um serzinho que a gente não conhece é um tanto desafiador, não é mesmo? Ficamos nove meses esperando ansiosamente para entender o que se passa dentro de nós, como tudo funciona, se está tudo bem, como a vida será assim que ele(a) chegar… São muitas dúvidas e muitos desafios que os pais passam nessa fase.

Já dividimos com vocês momentos lindos e emocionantes, de tirar o fôlego, como o da Manu; a doce espera do Bernardo; o parto natural do Ben, e muitas outras histórias que só de rever nos fazem sentir saudades e vontade de ter nossas bebês de volta na barriga! Hehe

Mas o Relato de hoje não tem o começo lindo e emocionante. A história é contada pela mamãe Rebbeca, que durante 9 dias ficou na UTI à espera de poder sentir, ver e ter registros do seu maior presente.

Sem registros

“Não tenho fotos do meu parto. Não falo só de fotos profissionais, ressaltando toda a força e empoderamento do passo a passo que um parto normal tem! Falo de fotos em geral, incluindo uma selfie ou a típica foto com o rostinho do bebê colado no seu. Pois é! Estou me referindo a qualquer mísero registro. A verdade é que não tenho fotos do meu parto, nenhuma sequer. E essa é de longe a menor das frustrações.

Sou jornalista. Amo fatos e amo fotos. E grávida pela primeira vez aos 26 anos, depois de dois anos de muito sonho e planejamento, acordei às 3 da manhã do dia 25 de abril sabendo que a hora tinha chegado. Faltando um dia para completar as 39 semanas, naquela madrugada, as contrações me sinalizaram: finalmente ia conhecer o meu bebê em uma realidade além das fotos de ultrassom que colecionava.

Fui daquelas grávidas que fez fotos a gravidez inteira, e que, mesmo enjoada boa parte do tempo, curtiu ao máximo todas as fases da gestação. Mas nenhuma foto era mais desejada do que a do rostinho do meu bebê colado no meu. Separei a nossa câmera, carreguei as baterias e verifiquei os cartões. Tudo pronto e dentro da mala que iria para a maternidade. Mas ela voltou pra casa sem um clique sequer. E logo você vai entender…”

O susto

“Meu parto tem exatos 7h de duração. Contrações começaram às 3h, ficaram ritmadas às 5h e chegamos ao hospital às 6h. O médico do plantão perguntou pelo meu plano de parto, e falei da minha opção pelo parto normal. Ele sinalizou que seria possível e que, pela evolução da dilatação e das contrações, o meu bebê nasceria no início da tarde – daria tempo para minha mãe literalmente voar do Recife, onde mora toda nossa família, até Sorocaba, onde moro com meu esposo. Minha médica chegou logo em seguida e comecei a ficar segura de que tudo estava indo muito bem.

Às 8h30, percebi que não seria tão simples assim. Minha médica tinha saído para cumprir seu plantão e voltaria umas 2h antes da previsão do meu horário de parto para me assistir. E a médica que estava no lugar dela me veio com uma triste notícia: o meu bebê possivelmente teria ingerido mecônio, e ainda tinha o agravante dos meus exames terem dado positivo para a bactéria estreptococos B – que pode causar uma série de problemas ao bebê, inclusive o desenvolvimento de uma pneumonia. Eu teria que fazer uma cesárea, e teria que ser urgente.

Corremos para o bloco cirúrgico, mas quando chegamos na porta da sala, passa uma maca mais apressada que a minha. Uma outra grávida, com 7 de dilatação, tinha uma urgência maior que eu, e só tinham 2 médicas e 1 anestesista de plantão. Eu teria que esperar. Fiquei numa sala conjugada a essa, sendo assistida por uma enfermeira e por meu marido, e qualquer dor mais intensa a orientação era que eu gritasse que uma das médicas viria me ver. O que aconteceu 5 minutos depois.”

O pior sentimento

“A médica veio e viu que estava com 5 de dilatação e me fez uma proposta: “você topa estourarmos sua bolsa e tentarmos fazer esse parto normal?” Seria mais rápido do que esperar pelo anestesista que estava em procedimento na sala vizinha. E minha decisão foi pela vida da minha filha, em detrimento da dor e da invasão ao corpo que esse procedimento causa. Estouramos a bolsa, constatamos a presença de mecônio no meu líquido amniótico, e ali começou a minha saga de expulsão do bebê.

Passei os próximos 20 minutos na minha conhecida amiga bola de pilates, fazendo os exercícios que tinha feito ao longo de toda a gravidez. Próximo às 9h, senti as dores aumentarem absurdamente e pedi para chamarem a médica novamente. Tinha chegado aos 8 de dilatação, era hora de trazer um bebê ao mundo. Fui orientada ao tipo de força que tinha que fazer e apresentada aos ferros que tinha para me agarrar no processo. Meu marido, sempre firme, me segurava pelos ombros e me incentivava com frases que já não me lembro. O que me lembro é que ele tinha força suficiente para tranquilizar a nós dois, e que no meio disso, ainda me conseguiu fazer sorrir algumas vezes.

A maior dor que já conheci na vida foi aquela. E agora não estou falando mais do parto. Parir normal é o normal, e acredito que nosso corpo foi feito para aguentar essa dor. Lacerante mesmo foi o que senti nos 5 minutos eternos após o nascimento do meu bebê. Ágatha nasceu às 10h30 da manhã, mas ela NÃO CHOROU. Ela não veio para os meus braços. Não tiraram uma foto do rostinho dela colado ao meu. Na verdade, nem o rostinho dela me apresentaram. Correram com minha filha para uma salinha e levaram meu marido junto, me deixando com o maior vazio que já senti: o do desconhecido.

Minha filha não chorava simplesmente porque não respirava! E o tempo naquele relógio posicionado bem na minha frente ia passando e eu seguia sem ouvi-la chorar. Foi o tempo de eu fazer a oração mais intensa dessa vida. Em 5 minutos ela saiu da nota 3 para a nota 8, e então chorou. E eu pude ouvir o chorinho dela e entender, com minhas próprias lágrimas, o que significa chorar de felicidade. Só que não a vi. Ela seguiu dali, dentro de uma incubadora, direto para a UTI.

Ver seu filho por um vidro é uma experiência angustiante. Não poder tocá-lo, acalmar seu choro, dar-lhe o alimento que ele precisa e que seu corpo jorra, é a pura tradução da palavra incompletude. Minha filha tinha ingerido mecônio e contraído pneumonia.  Foram 4 dias para eu segurá-la no colo pela primeira vez, 6 dias para poder oferecer um seio de amor farto do melhor alimento que ela poderia ter, e, no total, 23 dias para tê-la em casa por definitivo. Ela saiu da UTI após 9 dias, e precisou ser reinternada 4 dias depois, dessa vez, na capital.

Longe de casa, nas madrugadas frias de São Paulo, enquanto fazia minha caminhada diária até o hospital, tudo que queria era poder ser mãe por completo. Ah… Quão injusta estava sendo comigo mesma! Não é porque não pode ter seus filhos nos braços que uma mãe de UTI é menos mãe que as demais. Hoje, olhando para trás, vejo claramente que entre as dores das contrações e o primeiro suspiro do meu bebê, a gestação virou maternidade. Mas foi na UTI que o amor incondicional ganhou sentido para mim. E tenho certeza que dos céus Deus não se esqueceu de registrar esse momento, mesmo que eu não tenha uma foto sequer para provar.

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Fotos da gestação: Estúdio Estefano Gomes

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Junia Lane

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