22 Meses de Amor Líquido – Relato de um Desmame Tranquilo e Cheio de Amor

Hoje quero dividir com vocês tudo sobre o desmame da Bela. (Ainda nem acredito nisso!)

Já escrevi alguns textos e relatos sobre amamentação. Sempre foi um sonho, e durante a gravidez se tinha uma coisa que eu queria muito, era amamentar. Mais do que parto normal, mais do que um bebê que dormisse muito (rs). Eu queria poder alimentar minha bebê nutricional e emocionalmente.

Deu certo! Deu muito certo. O começo é sempre desafiador. Eu tive muitas dores, fissuras…. Depois o leite deu uma boa diminuída (que agonia), mas acreditei no meu corpo, optei pela livre demanda e foram 6 meses de amamentação exclusiva com uma bebê gordinha, nutrida e feliz. Quando a Bela completou uns 45 dias ela já dormia a noite inteira e eu nunca fiz nada por isso. Era muito mamazinho mesmo. E assim foi até os seis meses (depois passou a acordar mil vezes, mas é melhor eu não fugir do assunto, né? rs).

A introdução alimentar não foi de cara. Bela sempre amou o mamazinho, então foi comer mesmo lá entre os 8/9 meses. Até um ano, o principal alimento foi realmente o leite materno. Alguns dias achei que não poderia mais sair leite daqui. Uma secura só… Mas era só ficar longe dela algumas horas e voltava a ser “vaca leiteira”(rs). Coisa incrível. Somos realmente produção e não fábrica. O meu corpo sabia exatamente a demanda que a Bela necessitava.

Por aqui não teve chupeta nem mamadeira. Por opção da Bela mesmo! (Eu tentei a chupeta, gente! Mas no fundo não queria dar, sabe? Talvez tenha sido isso. A mamadeira, a Bela não aceitou de jeito nenhum, e aí eu desisti. Fomos para o copo de transição aos 9 meses).

Ou seja, eu fui a fonte de nutrição, afeto, calmaria, consolo, o momento do sono, da alegria, do tédio… Quando olho pra trás nem acredito que consegui! Alguns dias mais tranquilos, outros muito desafiadores. Nos dias de Bela doentinha me sentia a pessoa mais importante do mundo por aliviar a dor, mas o cansaço era imenso.

Quando a Bela completou 18 meses parece que virou a chave e ela passou a comer MUITO. MUITO mesmo! Uma draguinha, cheia de apetite e com paladar aguçado. Parece que todo o esforço até então, tinha dado mais que certo. Ela passou a mamar menos e a depender menos de mim. Pude arriscar viajar e ficar longe dela por 24 horas, sair `a noite e “não ter tetê pra dormir”, e ficou raro amamentar fora de casa. De repente, eram 2 mamazinhos: às 7h (e depois a Bela voltava a dormir até 9h30 #quebenção) e antes de dormir. Aos finais de semana eram mais vezes, afinal, a mamãe estava ali, disponível! (rs). Quando saíamos o mama era apenas no carro.

O Diego perguntava: “amor, vai até quando?”. Eu não sabia dizer. Era tão natural ainda, e tão poderoso, especialmente pela manhã (que coisa maravilhosa amamentar no domingo cedo e voltar a dormir, rs). Ele também perguntava sobre introduzir a mamadeira e na minha cabeça não fazia o menor sentido. Se a fase de tirar a mamadeira já estava chegando, porque iria introduzir?

A Bela passou a tomar leite de arroz, soja, castanhas, coco… E tinha o meu leite.

Até que surgiu o convite de viajar à trabalho por uma semana. Vocês sabem que temos o outro blog de casamento, né? A coisa é puxada por lá, e sempre há muitos eventos. Mas, esse seria o primeiro de uma semana. Lembro quando aceitei o convite para cobrir o casamento na França… Uma mistura de alegria e angústia.

O Diego e eu conversamos e decidimos que seria uma boa oportunidade para desmamar. A gente já tinha entendido que embora tivesse muito afeto e amor, estava muito ligado ao hábito. Além disso, EU estava pronta e precisava de um tempo só pra mim, sem estar grávida e sem amamentar. Viajei confiante e sabendo que o “tetê tinha chegado ao fim”. Engraçado como a gente sabe, né? Teve até “tetê da despedida”. (Gravei um vídeo, gente! Pra nunca esquecer…).

Os quatro primeiros dias de viagem foram caóticos. A viagem, que durou muitas horas, foi suficiente para duplicar o tamanho dos peitchos aqui! E eu, que achava que nem enchia muito mais, deixei a bombinha na mala despachada! E a bendita ainda foi extraviada! Pensaaaa… Após algumas horas esperando a mala, descobri que o local que estava era 220v e eu tinha vários compromissos, não daria tempo de comprar um transformador… Enfim! Banho e ordenha manual.

Pronto! Não encheram mais. Enquanto isso a Bela em casa sem o tetê. Ela acordou cedo os três primeiros dias pedindo tetê. O Diego ficava com ela até que voltasse a dormir. Depois, passou a acordar no horário de sempre, sem o tetê.

O momento mais tenso seria realmente a volta. (abrindo um parênteses –> Essas viagens que fico longe um dia, um dia e meio, quando chego no aeroporto, a Bela sempre grita “TETÊÊÊÊ”. BEM ALTOOOOO! É bem constrangedor. A gente dá risada porque ela deve enxergar a mãe como “duas tetas gigantes” hahahaha). No uber do aeroporto pra casa eu pensei assim: “já foi tão difícil para nós duas ficarmos esse tempo longe, se ela gritar ‘tetêêêê’ eu vou dar”. Eu não queria que tivesse nenhum tipo de trauma. Se foi tão bom e natural até aqui, porquê o desmame também não poderia ser?

Cheguei em casa. Que festa, que alegria, quantos sorrisos e abraços! (E choro da minha parte, né?). E a Bela não pediu pelo mama. De repente eu era apenas a mãe, e não mais as tetas gigantes hahaha. Após duas horas brincando, abrindo malas, mostrando os brinquedos, ela pediu. Disfarcei, mudei de assunto e deu certo. Mais `a tarde pediu, e chorou. Conversei e falei que a Bela tinha crescido e que só os bebês mamavam. Ela entendeu e deu as bonecas/bebês dela para mamar na mamãe.

Consegui contornar bem… Na hora de dormir ela ficou na cama com a gente e não pediu! Pronto! Sabia que tinha dado certo… A Bela acordou de madrugada e eu fui para o quarto dela morrendo de medo de ela pedir (de madrugada e chorando, é muito pro coração de mãe recém-chegada de viagem, rs). Fiz carinho e funcionou. No dia seguinte ela acordou às 9h30 e pronto! Oficialmente DESMAMADA!

Tivemos algumas conversas nos momentos que ela pediu e chorou um pouco. Sempre que falava que tinha crescido ela entendia e não pedia mais. Esperta que é, começou a falar que “o tetê da mamãe era da Chloe” (rs).

Foi tranquilo, sem traumas e cheio de amor. Foi no nosso tempo, do nosso jeito.

Amamentar foi um dos melhores presentes que a vida me deu, que a Bela me proporcionou.
22 meses de MUITO amor líquido, de renúncia, de cansaço, de plenitude e de “mulher poderosa”.

Acabou. As marcas estão aqui (e ainda tem leite aqui. Como pode? rs) e já falei que o “silicone que me aguarde” kkkkk, mas olho para o meu corpo e agradeço. Agradeço pela marca da cesária, agradeço pelas mudanças nos seios… Marcas de amor, por amor! Amor por mim, pela Bela, pela minha família. Faria tudo de novo, igualzinho!

E agora, nova fase! Curtindo muito cuidar de mim (eu sou dessas medrosas e se tá escrito que lactante não pode, eu obedeço e não faço! rs) e acompanhar o desenvolvimento da minha garotinha.

Bela, eu te amo.
Espero que goste dessa história daqui uns anos.
(Amamentação com amor 19/08/2015 – 12/06/2017)

 

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Fotos: Ju Kneipp

Imagem post: Amor de Primas

Amor de Primas

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