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{Relato de Parto} Parto Domiciliar Planejado

O dia em que o bebê chega ao mundo, independente do tipo de parto, é o dia mais feliz do mundo para os pais. Para a mãe, em seus braços aquele serzinho que você gerou e carregou por muitas semanas, agora do lado de fora, é a concretização de um sonho. E para o pai, poder tocar de verdade, sentir a pele, o cheiro e conversar pessoalmente com o bebê tão amado, é incrível!

Mesmo com muito planejamento, a vida sempre nos surpreende e nos mostra que maiores que nossos planos o que Deus quer sempre prevalece. Hoje vamos compartilhar com vocês o Relato de Parto da Drika, que teve sua segunda filha no meio de muitas mudanças e surpresas da vida.

A decisão do parto domiciliar

Este relato começa quando eu descobri que estava grávida da Emilia. Nessa hora, a primeira coisa que me veio à mente foi “Onde esse bebê vai nascer?”. Isso porque a Maria Luiza, minha primeira filha, nasceu em São Paulo, num parto humanizado hospitalar com uma equipe incrível que não poderia me acompanhar aqui em Salto, interior de São Paulo.
Minha atual ginecologista havia me dispensado porque não atenderia mais nenhum parto aquele ano e eu estava sem rumo. A única disponível era minha minha amada-amiga-doula Raquel Oliva, que mora em Indaiatuba, cerca de 20 minutos da minha casa.

Os hospitais da região também não me animavam (ou porque não tinham UTI neonatal, ou não aceitavam doulas, ou eram cesaristas demais… nada do que eu queria para aquele bebê).

Se antes de ser mãe eu achava o parto domiciliar um risco desnecessário, depois que tive a Malu, e passei a estudar mais o assunto, percebi que não era assim um bicho de 7 cabeças. Comecei a considerar a possibilidade, mas ainda tinha muitas dúvidas, muitas questões em aberto. O pontapé inicial veio da Dra. Andrea Campos, obstetra que acompanhou o parto da Malu.

O passo seguinte foi conhecer uma dupla de enfermeiras obstetras, que atendia em Campinas, mas estava ali pertinho, em Indaiatuba. A Camila e a Adriana eram calmas como eu precisava, mas também diretas e objetivas. Tiraram todas as nossas dúvidas/medos/angústias sobre o parto (e todas as outras novas, que surgiam a cada consulta). E também nos passaram algumas tarefas, tudo o que deveríamos providenciar para o grande dia (inclusive o plano B e C). Enquanto isso a gravidez seguia tranquila, sem nenhum risco ou intercorrência, todos os exames perfeitos. Nossa menina crescia forte e saudável.

Desafios

Nas últimas semanas eu estava muito cansada. Muito mesmo. A barriga estava bem grande, pesada, não havia posição confortável para dormir. Além disso, a Malu estava sentindo a chegada da irmã e queria muito mais atenção, queria colo, dormir abraçada e tudo o que eu não tinha pique de fazer.

A ansiedade também estava me consumindo. Eu tinha medo de não me entregar na hora do parto, de assustar a Malu, de incomodar os vizinhos e acabar me bloqueando. A partir da 38ª semana eu comecei a preparar a minha mente para o que tinha planejado. Tentei ser o mais positiva e tranquila possível.

Então, num domingo de sol, com 39 semanas e 3 dias, resolvemos passear no parque “Cidade das crianças”, em Itu/SP. Como o parque é praticamente todo plano e com bastante árvores, aproveitei para caminhar um pouco. Deixei a Malu e o Beto brincando na areia e dei várias voltas por lá. Não tinha muito expectativa, mas esperava que isso incentivasse o trabalho de parto.

À noite, já em casa, comecei a sentir uma leve cólica. Isso acionou todos os alarmes na minha cabeça: “É hoje! É hoje, é hoje!!”. Mas antes de espalhar alarme falso por aí, resolvi tomar um longo banho quente. Voltei para a sala e a cólica virou contração. “Caraca! É hoje! Está acontecendo!”.
Como ouvi muito que esse parto podia ser assustadoramente rápido, já que o primeiro foi bem rápido e o segundo tende a superar o primeiro, já avisei a doula. Tentamos avisar a fotógrafa mas, por azar, ela estava sem celular aquele dia! rs

Preparação para o parto

Como já era 21h, subi para colocar a Malu para dormir. Parece até que ela sentiu algo diferente no ar, porque demorou horrores para pegar no sono, o que começou a me deixar impaciente (ansiedade do parto + criança que não responde às expectativas + dor começando a incomodar = irritação incontrolável).

Deixei o Beto, meu marido, com ela e fui tentar relaxar um pouco. Quando a doula chegou, a Malu já estava dormindo e eu estava no meu quarto. A partir daí eu tinha que levantar e ficar apoiada no Beto durante as contrações. A respiração e as massagens nas costas ajudavam muito e estava tudo incrivelmente suportável. Ficamos assim por algumas horas.

Nesse meio tempo as enfermeiras chegaram. E passaram a checar os batimentos da bebê. Tudo estava bem. Nem cogitaram fazer exame de toque, eu também não queria saber, se não tivesse dilatado nada ainda, poderia ser um banho de água fria.

Enquanto o Beto inflava e enchia a banheira no nosso quarto, eles revezavam pra ficava comigo. Até que em algum momento me deu um estalo: eu não estava me entregando. Por algum motivo eu estava com o freio puxado e se eu não fizesse alguma coisa ela não iria nascer tão cedo. Nessa hora eu notei que as contrações vinham mais intensas e doloridas quando eu me mexia. E então, sentei na bola de pilates e me movimentei o máximo que pude. As contrações se intensificaram muito e eu tentava me manter focada. “Calma, você consegue, já passou por isso. Sabe como é”, eu repetia para mim mesma. Se antes eu conversava e brincava, agora eu precisava ficar quieta e concentrada. Mas, ainda sim, eu sabia que tinha um longo caminho pela frente.

Hora do Parto

Às 5h a Malu acordou com a movimentação e foi para minha cama. Num determinado momento me ofereceram para entrar na banheira. Não sei se eu já estava nesse ponto de precisar da água para acalmar, mas aceitei. A sensação foi incrível, mas bateu um medo de desandar tudo. Santa inocência.

De repente começou a pegar fogo, a dor estava insuportável e eu não conseguia achar posição confortável. Com o tempo frio, a água não ficava quente por muito tempo e eles precisavam repor muitas vezes. Comecei a ficar meio desesperada, então o Beto perguntou se eu queria que a Malu fosse para a escola. Sim, peloamordeDeus! Não queria nada que pudesse me distrair naquele momento.


Já eram 7h, então ele a arrumou rapidinho e saiu. A Raquel assumiu o lugar dele e depois me ofereceu o rebozo para eu segurar nas contrações. Ajudou muito. Mas ainda doía demais. Muito mais do que no parto da Malu, e eu precisava gritar. Em pensamento, pedi desculpas aos vizinhos e gritei. MUITO FORTE. Usava minha voz para botar pra fora toda aquela dor. Comecei a dizer que não ia dar, não tinha mais forças. E ouvi alguém dizer palavras de apoio que faltava pouco, que ela estava chegando.

Assim que o Beto estacionou o carro na garagem, saiu uma vizinha para falar com ele, estava preocupada com os gritos (rsrs). Achou que eu estava sozinha em casa. Ele deu uma breve explicação e entrou correndo.

Vontade de fazer força. Círculo de fogo. Mais dor. Virei de cócoras, apoiada na borda na banheira. Nossa, muito melhor. Agarrei no puxador do meu guarda-roupas e comecei a fazer toda força que eu podia em cada contração. Então, lembrei da laceração anterior e tentei me controlar. Empurrando devagar, sentindo ela passar. Aqueles momentos finais pareceram uma eternidade.

Até que, enfim, senti minha gorduchinha nascendo. Ela também nasceu com a bolsa intacta. Só estourou quando saiu a cabeça. O Beto e a Camila estavam de plantão para pegá-la, já que minha posição não me permitia. Logo em seguida, com ajuda da Raquel, virei e sentei de volta na banheira.
A Emilia foi colocada no meu peito, e eu nunca vou esquecer a delícia de sentir seu corpinho quente e escorregadio junto ao meu. Era uma bebezona cheia de dobras, cabelos e pelos.

Nem bem saiu e já começou a chorar alto e forte. Aquele som preencheu toda a casa. Choramos junto. Não ficamos muito tempo na água para que ela não ficasse com frio. 
Em menos de 10 minutos ela já começou a procurar o peito e a sugar com força e vontade. Ficou assim, mamando tranquilamente por uns bons 40 minutos.

Pós-parto

Quando ela já estava relaxada, eu tirei do peito para que pudessem pesar, medir e vesti-la. Aos poucos a família começou a aparecer para conhecê-la. Todo mundo ainda sem acreditar no que tinha acontecido, já que mantemos nosso plano em segredo até o último instante.

Aí me deu um siricutico que precisava da Malu lá com a gente, e minha sogra foi buscá-la. Ela chegou e conheceu a irmã vestida de uniforme ainda (olha que doida que fui!).
Já eram quase 13h e minha sogra trouxe uma sopinha deliciosa para mim, mas acabei botando toda para fora de tanta dor que senti com as contrações pós-parto.
Cada vez que a Emilia mamava, meu útero contraía e eu chorava de dor. Isso durou alguns dias. Arrisco dizer que doeu mais que o parto.

A equipe ainda ficou algumas horas com a gente para garantir que tudo estava bem e voltou no dia seguinte. Nas semanas seguintes pediam notícias via WhattsApp, sempre muito atenciosas.

Foi uma experiência incrível poder parir em casa, do meu jeito, apenas com as pessoas que eu escolhi por perto. Com todo o amor e segurança que ela precisava.

Veja também:
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Relato de Parto – Mãe de UTI
Parto Normal Induzido

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Junia Lane