Introdução Alimentar pela Nutricionista Camila Freitas

O bebê completou 6 meses! O início da introdução alimentar provoca uma mistura de sentimentos; traz a sensação de liberdade por entender que o leite materno não será mais a única fonte de alimentação do bebê mas também vem a angústia por não saber por onde começar esse processo.

Já dividimos aqui no blog, tudo sobre a IA da Bela – os primeiros dias e dos 6 aos 8 meses – e da Chloe, com receitinhas e tudo. Tivemos muitas dúvidas, desafios (claro!), dias de luta e outros de vitórias, e hoje estamos vivendo a fase boa com nossas meninas comilonas!:)

Por isso, convidamos a nutricionista Camila Freitas para ajudar as mamães que estão vivendo esta fase, este comecinho mas não sabem o que fazer, como lidar.

“No passado, a orientação dos profissionais era simples e clara: comece com um suco bem coado de laranja lima no meio da manhã. Para o almoço, cozinhe e processe todos os alimentos até virar uma sopa consistente. Mas, cuidado com a carne! Ela deve ser retirada após o cozimento e somente o caldo deve ser utilizado para evitar risco de engasgo.
A quantidade de comida era pré definida. O aviãozinho era presença garantida nas refeições e a criança só saía do cadeirão com o prato raspado.

Hoje em dia, quanta diferença! No extremo oposto à orientação tradicional, o BLW, a alimentação guiada pelo bebê (do inglês Baby-led weaning) nos mostra que a criança pode gerenciar sua alimentação sem qualquer interferência do adulto. Os alimentos são oferecidos em pedaços, de forma que o bebê consiga pegá-los e leva-los à boca, e há confiança nas sensações de fome e saciedade que a criança apresenta.

E no meio disso tudo fica a mãe, transtornada com tanta informação e regras a serem seguidas.

Vamos simplificar esse processo? Que tal ouvir um pouco seu coração e sentir o que te traz tranquilidade? Vamos olhar para seu filho e trazer para o dia a dia aquilo que é da natureza e interesse da criança? Porque há mães disponíveis em tempo e alma para a deliciosa bagunça de uma auto-alimentação, e outras não! Porque há mães que seguram a onda para lidar com os reflexos de engasgos, e outras que sentem um aperto no meio do peito. Porque há crianças que se interessam por comida desde os 5 meses e outras parece que passariam a vida inteira tomando leite numa boa.

Encontrando o caminho que te faz feliz, vamos aqui fazer um combinado: como estamos formando hábitos que impactarão a vida inteira, a visão de que desde o principio estamos em um processo de educação alimentar deve prevalecer! E educação na alimentação significa educar o paladar e o comportamento alimentar.

Se você optou por oferecer a comida na colher, apresentar para o bebê os alimentos separadamente para que sinta os diferentes sabores, aromas e texturas, é um grande diferencial à sopa de um único sabor. Talvez seu filho goste de abóbora, mas não de cenoura, e não há nenhum problema quanto a isso.

Vale a conversa durante a refeição, vale muito comer junto para dar o exemplo, mas o brinquedo, o tablet, o celular ou o aviãozinho de colher devem ficar fora da mesa. A intenção é trazer a presença para a comida, é sentir, quando ainda há fome ou quando a saciedade sinaliza, que é hora de parar de comer.

Aliás, o respeito à saciedade é um dos pontos altos de uma introdução alimentar cuidadosa e empática. Boca trancada e rosto virado são sinais claros de que o bebê já está satisfeito. Quem disse que aquelas 2 colheres finais são necessárias para seu filho?

Apresentar um mundo novo para o bebê pode e deve ser um momento de curtição dos dois lados: para a criança, uma infinidade de cores, sabores, aromas e texturas, e para a mãe, a tranquilidade de oferecer uma refeição nutritiva e respeitosa independente do método escolhido.

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Texto por Camila Freitas

 

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