Insuficiência Istmo Cervical

Esses dias recebi o relato de uma amiga contando sobre a sua descoberta de Insuficiência Istmo Cervical. “Ter insuficiência (ou incompetência) istmo-cervical (IIC) quer dizer que seu colo do útero é mais fraco ou curto que o normal. Ele tende a dilatar e afinar sem que haja contrações ou dor, só pelo peso do bebê.”

Me emocionei muito com cada palavra escrita e como ela deu a volta por cima e conta sua história hoje. Ela é uma inspiração, e não podíamos deixar de dividir a história com vocês, pois, assim, crescemos, aprendemos juntas, nos tornamos fortes e ajudamos outras mulheres que sonham em ter sua família mas não conseguem por algum motivo.

Já compartilhamos no blog a história da Meiri, que passou pela gravidez anembrionada. Sabemos o quanto este assunto é dolorido, mas é a realidade de muitas mulheres, e precisamos compartilhar com quem ainda não conhece por falta de informação.

“Desde que era bem pequena, sempre gostei muito de crianças. Lembro que cuidava das minhas amigas menores querendo dar mamadeira e pegar no colo, acredito que o instinto de cuidado já nasceu comigo.

Conheci meu marido com 17 anos, namoramos, noivamos e casei com 23 anos em agosto de 2007. Passado mais ou menos um ano, engravidei. Acreditem, tomando anticoncepcional! Foi um susto enorme, nem eu nem meu marido estávamos preparados. Eu tinha acabado de me formar como enfermeira e estava entrando no mercado de trabalho.

Passado o susto, começamos a planejar como seria ter um bebê, e o amor consecutivamente aumentava. Descobrimos que seria um menino e iria se chamar Ícaro, papai que havia escolhido.

Tudo corria muito bem, até que um dia, quando fui levantar do sofá para ir deitar, minha bolsa estourou. Como disse, sou enfermeira e nesse exato momento pensei: “perdi meu bebê”. Estava com 24 semanas; fui para o hospital e fiquei internada por 10 dias. O bebezinho estava sem líquido nenhum mas estava vivo, então decidimos que iríamos esperar o tempo dele. Até que um dia, à noite, senti uma cólica muito forte e quase que ali na cama ele nasceu. Peguei ele no colo, consegui ver o seu rostinho, seu cheirinho, ele era bem loirinho… Mas, devido o tempo de gestação, meu pequenino não aguentou. Fiquei mais dois dias internada e fui liberada para ir para casa.

Quando cheguei em casa que vi as roupinhas dele, alguns brinquedos, comecei a chorar desesperadamente. Meu leite havia descido e era muito leite! Lembro que tive que usar ataduras para amarrar os seios na tentativa de o leite diminuir. Lembro que esse período foi muito confuso, muitos sentimentos em conflito. Rodrigo, meu marido, aguentou a “barra” sozinho. Sei que ele estava muito triste, mas eu estava destruída.

Nesse momento, ainda sem saber do meu diagnóstico, coloquei na cabeça que iria engravidar novamente, e o mais rápido possível. Depois de 6 meses, estava grávida novamente! Fiquei tão feliz e achando que nada daria errado. Quando fui fazer o USG de rotina, o médico disse que não havia batimento cardíaco para esperar mais 2 semanas porque poderia estar no começo da gestação. Tudo passava, menos as 2 semanas… Então chegou o dia, e o pior havia acontecido: realmente não havia batimentos.

Fui ao meu médico, ele me passou uma medicação e se até 1 mês não tivesse um sangramento, precisaria fazer uma curetagem. O remédio não deu certo e eu estava entrando pela segunda vez no centro obstétrico e saindo sem meu bebê.

Após a perda do último bebê, me entreguei completamente. Engordei muito, não estava preocupada com nada, só chorava e perguntava “por que isso aconteceu comigo?”. Tinha medo de não conseguir ser mãe.

Eu e Rodrigo conversamos muito e decidimos que iríamos esperar, mas lá no fundo meu desejo de ser mãe gritava, e aqui vai um conselho: espere o tempo certo e tudo o que for fazer, faça em parceria com seu marido, pois ele sofre tanto quanto nós.

Passaram-se dois anos quando comecei a tentar. Meu marido não queria, mas na minha cabeça não podia esperar mais. Então, mais uma vez, estava grávida! E dessa vez de uma menininha, Valentina. Estava indo ao médico sempre, havia contado meu histórico mas nenhum médico havia me dado o diagnóstico de IIC. Em um USG de rotina, com 20 semanas, a médica disse: “seu colo está frouxo!”. Eu falei: “o que?”. Mesmo como enfermeira, não sabia o que era isso. Liguei para o médico e ele falou: “você vai ficar de repouso em casa”. Obedeci direitinho, mas passado dois dias começaram as contrações.

Fui para o Pronto Socorro, e quando o médico me examinou, minha bolsa estourou. Nesse momento comecei a gritar: “de novo não! Não posso perder meu 3º bebê”. Meu marido estava viajando, e após um parto traumático e com muitas complicações devido hemorragia, havia perdido minha garotinha.

Minha barriga já estava grandinha, e quando saí do hospital e encontrei meu marido, só chorávamos. Dessa vez ele ficou muito pior e foi a hora de cuidar um pouquinho dele. Como casal, essa troca é muito importante! O período de luto foi longo mas algo dentro de mim me dava força para descobrir o que eu tinha.

Como não sabia o nome, escrevi em um site de busca (perder + bebe + colo frouxo + 24 semanas) e apareceram várias matérias, todas com o título de IIC (Insuficiência Istmo Cervical). Comecei a buscar referências, médicos especializados… Moro em Santos e fui até São Paulo para descobrir de uma vez por todas o que acontecia comigo.

Cheguei na consulta em São Paulo, levei todos os exames; ele olhou tudo, respirou e disse uma frase que até hoje dói um pouco: “você perdeu seus bebês por incompetência médica”. “Como assim?”, eu pensava, “não é possível!”. Estava sempre indo ao médico! Mas, infelizmente, como muitos relatos, a maioria das portadoras de IIC passam por um aborto tardio. A falta de conhecimento de alguns profissionais infelizmente ajuda a aumentar essa triste estatística.

Desde o último bebê já se passaram 8 anos, e esse foi o tempo da minha cura emocional e espiritual. Nesse processo, curei meu corpo, perdi 25 kg e consigo falar que sou portadora de Insuficiência Istmo Cervical (IIC) sem sentimentos ruins, somente saudosos. Acredito que histórias como essa nos ajudam a enxergar outras como nós a não se sentirem desanimadas ou sozinhas.

Estamos planejando uma nova tentativa para o próximo ano, agora cientes do meu diagnóstico, com meu corpo preparado e principalmente com uma nova fé, acreditando e entendendo o que diz o versículo em Romanos 8:28: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus”.

O final do relato não acaba com a notícia de uma nova gravidez, mas com a esperança de quem acredita no poder renovador e transformador do amor.”

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Citação: Baby Center Brasil
Foto via: My Vanderbilt

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7comentários

  1. Paula Charlise - 14 de novembro de 2017 às 11:28

    Olá, meninas! Que relato corajoso! Eu e minha família conhecemos bem esse triste diagnóstico. Minha irmã descobriu que tinha IIC depois que perdeu o primeiro bebê com 17 semanas. Foi exatamente como no relato. A bolsa rompeu e mesmo com os batimentos cardíacos, não tinha possibilidade de manter a gravidez. Só Deus sabe o sofrimento pelo qual passamos e eu jamais esquecerei. Felizmente, pela graça de Deus, tivemos o acompanhamento de excelentes médicos, mesmo estando em Petrolina-PE, bem no interior do sertão! 🙂
    3 meses depois minha irmã já estava grávida de novo. Assim que descobriu a gravidez ficou de repouso em casa, mas mesmo assim, num exame de rotina, quando estava com 5 meses, a médica viu que o colo estava completamente aberto. Ela foi internada às pressas pq a partir daí ela não poderia mais nem ficar sentada. Foram 56 dias de hospital, deitada com as pernas pra cima, inclusive para se alimentar, tomar banho e fazer as necessidades. Até que com 29 semanas, abriu uma fissura na bolsa e a médica não quis mais esperar. Benjamim nasceu com 7 meses, passou ainda 1 mês internado, mas hoje está em casa, ganhando peso e prestes a completar 3 meses, para a honra e glória de nosso Deus!
    Deus é bom e demonstra Seu amor todos os dias por nós!
    Um xêro pra vcs!!
    😙

  2. Mayra Theodoro Muhlert - 14 de novembro de 2017 às 12:56

    Lindo relato. Me identifiquei em tudo, pois estou passando pela mesma situação. Perdi minha Olívia há 6 meses atrás, com 25 semanas de gestação. A dor e a saudade não passam, só quem vive uma situação dessas entende. É um sonho que vai por água abaixo, onde perdemos o sentido pra tudo. Se não fosse a esperança em Deus não sei como estaria. É essa esperança que consola e coloca dentro de mim uma força que só pode vim de Deus mesmo. Já tenho o diagnóstico de IIC e apesar do medo, ainda não desiti de ser mãe. Ainda confio que não vou sair da maternidade de braços vazios e nao vou ficar só imaginando como estaria minha bebê nesse momento…Vou ter meu milagre nos braços e um dia vou contar pra esse milagre que ele ou ela teve uma irmãzinha. E minha família estará um dia completa no céu. Parabéns meninas por trazerem esse assunto tao pouco falado, mas que é o motivo de dor e sofrimento pra muitas mamães. Desejo do fundo do meu coração ainda testemunhar dos milagres que Deus certamente vai operar na vida da minha família.

  3. Leila - 14 de novembro de 2017 às 23:07

    Meninas, não poderia deixar de comentar. Também tenho incompetência istmo cervical, descobri na primeira gestação quando estava grávida de 26 semanas. Graças a Deus foi diagnosticado a tempo, fiz repouso absoluto e meu filho nasceu com 38 semanas. Na segunda gestação o problema apareceu novamente, , com 23 semanas de gestação. Fui fazer um ultra-som e já estava com 3cm de dilatação. Mesmo com repouso absoluto o colo do útero não parava de afinar e as contrações eram muito fortes. Fiquei internado por uma semana, e foi quando minha médica, juntamente com um colega dela, resolveram usar uma nova metodologia (já usada na Europa e q a Unicamp está trazendo para o Brazil) q se chama pessario. Eles colocam um anel de silicone no colo do útero e esse anel “segura” o bebê . O pessario salvou a vida do meu filho. Pesquisem sobre essa possibilidade, ainda é algo muito novo e desconhecido no Brasil, mas meu filho é prova viva de q ele salva vidas!
    Que Deus abençoe todas q estão passando por esse momento difícil, q Ele traga conforto e força para o coração de cada uma!
    Leila

    1. Mayra Theodoro Muhlert - 15 de novembro de 2017 às 17:32

      Leila, no meu caso ja não havia muito o que ser feito. Ja cheguei na maternidade com 9 cm de dilatação e bolsa protusa. Fui internada, fiquei em repouso absoluto, fazendo tudo na cama. Tomei inibidores de contração, mas cerclagem e pessario nao tinha mais como fazer. Só segurei por três dias. Com 25s e 4d minha filha nasceu. Por conta de estar com o colo aberto, eu e minha filha tivemos infecção. Ela sobreviveu 5 dias, foi uma guerreira. Um abraço, fico feliz que tudo tenha dado pra vcs!

  4. Dianna - 16 de novembro de 2017 às 12:15

    É muito triste confiar em um “profissional” e descobrir que lhe falta CONHECIMENTO… Tenho 32 anos, seis de casada e NUNCA estive grávida… Há uns 3 anos faço exames e nada é descoberto. Acredito que há um tempo determinado para todas as coisas. Tenhamos FÉ querida e nosso Deus cumprirá o desejo de nossos ♡♡.

  5. Tsihara - 26 de novembro de 2017 às 07:48

    Só quem ouve do médico esse diagnóstico sabe a dor que é! Minha irmã de 33 anos estava na morfologica quando o médico ( maravilhoso, atento e dedicado) pediu pra fazer a endovaginal pq achou o colo curto demais, pediu pra irmos direto à maternidade pra ver se ainda poderia fazer a cirurgia pra “segurar” o bb. (ele falou sobre isso, esse diagnóstico normalmente é dado após abortos ele disse e essa era a primeira gestção dela). Chegando lá o plantonista simplesmente disse: não pode mais fazer cirurgia pq corre o risco de perder, se perder esse bb na próxima gestacão a gente faz pq você com esse colo não leva até o final! Ficamos chocadas com ele tão frio! Nós viajamos muito cantando e agora ele disse: se quiser cantar só com uma cadeira e na frente da sua casa, passamos a contar os dias e semanas, orando muitoooo. Resumindo mtooo, repouso absoluto, hoje o Isaac está com 3 meses lindão da titia, após uma gestação de 38 semanas e um parto normal e lindo na maternidade publica em Bauru.. E nós gratas ao Senhor pelo milagre da vida! Siga em frente com fé e tudo dará certo!!!! Bjs querida.

    1. Lápis de Mãe - 30 de novembro de 2017 às 09:56

      Amém! Bela história 🙂