Depressão pós parto – Quando a chegada do bebê não nos deixa tão feliz

Um dos momentos mais felizes para uma mãe é o nascimento do seu tão esperado bebê. Mas ter um filho é estressante por si só, independente do quanto ele foi planejado e desejado, ou do quanto você o ame.

Após o parto, devido à queda brusca dos hormônios, o cansaço causado pelo parto e pela falta de sono, as alterações de humor, as crises de choro e a sensação de tristeza podem aumentar. É importante que as pessoas entendam que isso não é frescura ou fraqueza da parte da mãe. Isso é um comportamento que não se pode controlar e em geral desaparece sozinho em 15 ou 20 dias.

Contudo, há casos em que tais sintomas não desaparecem, ou até se intensificam, e é importante procurar um médico, pois pode ser o início de uma depressão pós-parto. Também há casos em que os primeiros sinais da depressão pós-parto só aparecem após vários meses do nascimento do bebê e se desenvolvem ao longo do tempo.

Muitos fatores podem levar à tal depressão, como a preocupação em ser uma boa mãe, o aumento das responsabilidades, dificuldade de amamentação, filhos mais velhos com ciúmes, problemas financeiros, falta de apoio do parceiro e familiares, ou até dificuldade emocional para lidar com problemas da gestação, como o fato de a criança apresentar alguma doença congênita.

Alguns dos sintomas da depressão pós-parto são: tristeza constante, dúvidas sobre a capacidades de ser uma boa mãe, falta de interesse no bebê, falta de interesse em si própria, perda de motivação, falta de interesse e prazer nas atividades diárias, sentimentos de inutilidade e culpa, alterações no apetite, falta ou excesso de sono, pensamentos de morte ou suicídio. Algumas pessoas com depressão pós-parto também podem ter uma vontade súbita de prejudicar seus bebês.

Ofereça ajuda

Foto: Alexandra Grablewski 

A família precisa ajudar a mãe, como por exemplo pegar o bebê no colo para ela poder dormir um pouco mais, cuidar da criança enquanto ela toma banho ou se alimenta, além de auxiliar nas tarefas domésticas. O companheiro pode ajudar dando suporte emocional, mantendo uma boa relação conjugal e cuidando estabilidade financeira, pra que a mãe não tenha que se preocupar com tantas coisas nessa fase.

Muitas vezes a família não entende, o marido não sabe como agir e nem a própria mulher compreende o que está acontecendo com ela, complicando ainda mais essa turbulência emocional. A própria mãe precisa ter paciência e ser mais compreensiva consigo mesma.

Nessa fase, a mulher precisa de muita ajuda e paciência, e é muito importante que ela seja acompanhada por um médico. O obstetra é o profissional que pode identificar os primeiros sinais e encaminhar a mãe para o tratamento, podendo receitar algum remédio e/ou encaminhar para tratamento psicológico.

Se não for tratada, esse tipo de depressão pode interferir na capacidade de cuidar do bebê, podendo causar atrasos na fala e desenvolvimento, problemas de comportamento, prejudicar o desenvolvimento psicológico do bebê e problemas no laço mãe e filho.

Dessa forma, aconselhamento e esclarecimento adequados podem ser de ajuda imediata e servir como prevenção ao aparecimento de transtornos psicológicos.

Se cobre menos

É importante que a mãe entenda que, quando seu filho nasce, ela não precisa saber como agir logo de início, como se houvesse um instinto que lhes bastasse para ser a mãe perfeita, ou que houvesse um manual de criação dos filhos. É com o tempo e com a convivência com seus bebês, que ela irá desenvolver as habilidades para lidar com o seu filho, conhecendo-o melhor e podendo atender as necessidades dele.

Se você sente que está passando por isso, tente não se sentir forçada a se adequar às “pressões da sociedade” quanto `a criação do seu filho. Muitas pessoas irão dar opiniões e sugerir mudanças na maneira em que você irá educá-lo. Também pode acontecer de, no futuro, você mudar de ideia sobre muitas atitudes que está tendo hoje, ou de já estar mudando atitudes que teve no passado. É natural que isso aconteça, mas não se culpe. Entenda que hoje você está fazendo o melhor que pode com as condições que tem.

Esse post é uma colaboração da:
Juliana Gomes é psicóloga clínica e especialista em psicologia hospitalar.
Contato: julianagwpsi@gmail.com

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9comentários

  1. Nicolle - 3 de junho de 2017 às 13:10

    Claro e objetivo. Muito bom para as mamães e pras pessoas em volta, pois quem adoece nem sempre é o primeiro a saber.

    1. Lápis de Mãe - 6 de junho de 2017 às 13:11

      É verdade!! Um momento muito delicado Nicolle!

  2. Rosangela Correia - 6 de junho de 2017 às 09:22

    Gostei muito Juliana, parabéns!

    1. Lápis de Mãe - 6 de junho de 2017 às 13:12

      Nós amamos também!:)

  3. Josete Coutinho - 6 de junho de 2017 às 13:38

    Muito bom,parabéns, linguagem fácil,prática,acolhedora e esvlarecedora.

    1. Lápis de Mãe - 14 de junho de 2017 às 21:10

      Que bom que você gostou!:)

  4. Fabíola Rizzi Brune - 14 de junho de 2017 às 19:04

    Passei por tudo isso e o pior de tudo foi q meu esposo tbm. Tudo ao mesmo tempo foi horrível, dava vontade de morrer e viver ao mesmo tempo não tenho muita saudade do meu filho quando bebê. Mas passou agora está tudo bem graças a Deus. E ele é um grudinho comigo hoje!

    1. Lápis de Mãe - 14 de junho de 2017 às 20:50

      Fabíola, que bom que ficou tudo bem!É uma fase tão dura, tão difícil que só sabe quem passa realmente…
      um bj grande para vocês 3!

  5. Clesiane - 19 de junho de 2017 às 16:11

    Tenho sentido alguns sintomas, mas no pré parto.
    Estou com 36 semanas, sentindo-me extremamente cansada, só consigo pensar de vou dar conta ou não, se vou conseguir amamentar, etc. Esses pensamentos não me saem da cabeça. Então não durmo bem, minha imunidade caiu muito nos últimos dias.
    Tenho pedido muito a Deus que isso passe logo.
    Não vejo a hora da minha filha nascer.