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Tudo o que você precisa saber sobre Adoção – Parte 1

O assunto de hoje foi muito pedido por vocês, e logo pensamos em convidar a Psicóloga Juliana Gomes, especialista em terapia familiar, para compartilhar e instruir quem deseja adotar uma criança.

A Adoção que antes era encoberta por medos e mitos, atualmente, supera todos os preconceitos. Não é mais vista como última opção para pessoas que não podem ter filhos biológicos, mas como uma outra possibilidade de constituir uma família.

O mais interessante é que os brasileiros estão mais abertos para adotar crianças de diferentes raças, maiores de 2 anos, além de crianças com necessidades especiais ou até mesmo alguma doença. Mesmo assim são cerca de 40 mil pretendentes para adoção, e cerca de 9 mil crianças em busca de uma família. Essa diferença tão grande entre os números acontece porque muitas crianças em abrigos não estão aptas para adoção, ou seja, estão em abrigos temporariamente, já que é prioritária a tentativa de reinserção na família biológica e a não separação de irmãos. Por vezes a criança é reintegrada, mas acaba voltando para o abrigo. Somente em último caso que a criança é colocada para adoção.

O segundo fator é que, de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção, muitas pessoas têm um perfil desejado para a criança, como por exemplo crianças brancas e de 0 a 5 anos de idade. Enquanto nas instituições de acolhimento a maioria das crianças são 73% maiores que 5 anos de idade, 65% pardas ou negras e muitos casais não querem adotar irmãos, e eles representam mais da metade. Por isso, adotar a criança com o perfil que os pais desejam pode demorar um pouco mais.

QUEM PODE ADOTAR?

A adoção pode ser realizada por qualquer pessoa maior de 18 anos, independente do estado civil, casais heterossexuais, casais homossexuais, homens ou mulheres, pessoas jovens e idosas, contanto que mantenha-se a diferença de idade de 16 anos entre o adotante e o adotado.

Para adotar, basta ir à Vara da Infância e Juventude responsável pela região que você mora e fazer o cadastro. Os candidatos à adoção são avaliados e selecionados por assistentes sociais e psicólogos no Poder Judiciário, além de ser sugerido que frequentem Grupos de Apoio a Adoção.

ANTES DA ADOÇÃO

Adoção pode ser considerada um desafio, já que a criança não foi “criada” e “gerada” pelos pais. Mas, podemos pensar que muitos relacionamentos ao longo da vida são construídos com pessoas que não foram “criadas” e “geradas” por nós, por exemplo, amigos, marido ou esposa. E ainda assim, essas relações podem ser positivas e gratificantes à medida que os laços se desenvolvem.

Criou-se uma ideia do amor à primeira vista, em que os pais se apaixonam pela criança assim que as veem e então decidem adotar. Nem sempre isso acontece. Ao se disporem a adotar, os adotantes são convidados a conhecer a criança no abrigo e, como em um encontro romântico, conhecerem um ao outro, desenvolverem um laço e perceber suas “afinidades”.

ANTES DA DECISÃO

Antes de adotar uma criança é importante que se pense qual a motivação. É preciso ter isso claro, cada um tem que decidir por si mesmo, independente do companheiro. O casal decide junto, mas tanto a esposa quanto o marido precisam querer de forma individual. Adotar uma criança simplesmente porque o parceiro quer não é o melhor motivo.

Pense sobre o assunto: Por que você quer adotar um filho? Se você perdeu um bebê e ainda está sofrendo, talvez este não seja o melhor momento para uma adoção. A criança não pode ocupar o lugar de outra. Se você se sente sozinha e quer companhia, você pode fazer amigos e investir em você mesma. Caso você não consiga engravidar, o que vai fazer com a criança quando/se engravidar?. Se você quer fazer uma boa ação, você pode ajudar instituições e pessoas, pois adotar uma criança não deve ser visto como ato de caridade.

A motivação para adotar uma criança precisa ser o desejo de ter uma família, de ser mãe/pai e ter em mente que os problemas, preocupações e frustrações existirão bem como as conquistas, supressas e alegrias. Acima de tudo é preciso estar disposto a se dedicar e amar, amar incondicionalmente.

Se você tem esse desejo, se prepare! Durante a gestação os pais se preparam para ter um filho e precisam fazer algumas adaptações em suas vida, rever alguns conceitos e ter flexibilidade para mudar o que foi planejado, caso seja necessário. Ao adotar uma criança é a mesma coisa. Não decida da noite para o dia, vá colocando o assunto na mente, leia livros, assista filmes a respeito, frequente Grupos de Apoio à Adoção e converse com pessoas que têm essa experiência.

DESAFIOS

Além disso, muitos pais adotivos têm que lidar com o preconceitos e estigmas associados à adoção, já muitas pessoas e até familiares valorizam a fecundidade e laços consanguíneos.

A qualidade do vínculo parental depende de uma série de fatores, como: maturidade dos pais, estabilidade emocional, experiências como pais antes de decidirem adotar, frustrações na tentativa em se tornarem pais biológicos, motivação para a adoção, expectativas em relação ao filho e determinação em construir uma família através da adoção. Sendo importante para os pais o acompanhamento no período pré e pós adoção, para que sejam preparados para essa nova fase.

É uma escolha que precisa ser muito bem pensada, já que poderá transformar a sua vida a da sua família e, principalmente, da criança. É mais uma possibilidade de constituir uma família e de terem muitas alegrias e serem muito felizes juntos.

  • ALGUMAS INDICAÇÕES:

Passo a passo para Adoção – AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros

Grupos de Apoio

Projeto Acolher

GAASP 

Projeto Acalanto

DNA da Alma

Pais de Coração

  • LIVROS INTERESSANTES:

“Três vivas para a adoção”

“Adoção: Uma história de espera e amor”

“Conta de novo a história da noite em que eu nasci”

“Em busca de mim” 

“A historinha bonitinha da Maria Estrelinha” 

“A estrelinha distraída” 

“Adotar uma estrela”

“Uma dose de amor” 

“O dia em que eu fiquei sabendo”

“Filho por adoção”

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Texto: Psicóloga Juliana Gomes

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6 comentários

  1. Que demais esse texto. Sonhamos em adotar uma criança e ter uma família. 🙂 Já nos cadastramos em um programa de Apadrinhamento Afetivo. Estamos devagar, pensando em tudo com calma. Sei que Deus tem um plano pra nossa família.

  2. Eu nem lembro quando começou esse desejo, mas hj eu digo que pra mim adotar é mais prioritário que engravidar, parir. É um amor gigante que habita em mim que eu quero dar pra quem mais sofre com falta de afeto. Que artigo lindo, vou me preparando desde agora

  3. Temos uma filha de 12 anos e eu e meu marido decidimos ter outro filho, mas devido alguns problemas de saúde pensamos em adoção, já que queremos aumentar a família.
    Estou começando a pesquisar sobre o assunto e encontrei esse site lindo.
    se alguém tiver informações importantes aqui no Rio de Janeiro eu agradeço, pois estou começando essa jornada.

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Junia Lane