{Relato de Parto} Quando conheci a minha Maria Clara

Hoje é dia de falar de um primeiro encontro! Sim! É como se você vivesse 9 meses namorando alguém que você não pudesse ver, tipo um namoro à distância, sabe?rs

E cada dia significa menos 24h para esse grande encontro! Quanta ansiedade! A mamãe Grazi abre o coração e conta para as leitoras do Lápis de Mãe, sobre o esse encontro de
amor.

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“Os nove meses da minha gravidez foram bem tranquilos, graças a Deus, e passei todo esse tempo imaginando como seria o momento do parto. Só que em vez daquela experiência incrível que eu sonhava, minha filha nasceu em meio a uma confusão de sentimentos, incluindo medo e insegurança.
Durante esse tempo de espera eu rezei e pedi três coisas para Deus: que me ajudasse a ter um parto normal, que eu conseguisse amamentar e que minha filha viesse com saúde do corpo e da alma.

Apesar de querer muito, o primeiro pedido não foi atendido (e hoje, eu até agradeço por isso). Com 36 semanas minha bebê, que já estava encaixada, resolveu virar e ficar sentada, daí eu tomei a difícil decisão de fazer uma cesariana. Eu não tive coragem de esperar pra fazer um parto pélvico natural e pra ser bem sincera, eu acho que não aguentaria… descobri que meu limiar de dor é muito baixo e o parto pélvico é mais complicado.

O dia 25 de Agosto começou diferente de todos os outros. Eu não consegui dormir nada durante à noite, só sabia chorar. Às 4h da madrugada eu já estava dando entrada na maternidade porque minha cirurgia estava agendada para às 7h da manhã. Sai da recepção e fui direto para o quarto me trocar e esperar que alguma enfermeira fosse me buscar. Ao deitar naquela maca eu parecia que estava indo para uma viagem sem volta. Nunca senti tanto medo na minha vida. Eu queria sorrir, queria ficar feliz (juro que queria), mas eu não consegui. Eu não consegui nem rezar direito, meu único sentimento era MEDO, medo de não sair viva daquele centro cirúrgico.

Tenho verdadeira fobia de agulha e sangue e fiquei desesperada quando descobri que meu marido não podia ficar ao meu lado no momento da anestesia. Neste momento eu chorei muito e fiquei pensando onde estava escondido todo aquele medo dentro de mim? Onde estava a minha fé? Por que eu me senti tão frágil e tão sozinha?

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Quando o Rodrigo entrou na sala, percebi que ele também estava nervoso, mas ainda assim ele conseguia sorrir e segurar minha mão me ajudou a ser forte. Tudo isso passou, quando o relógio marcou 7:54 e eu ouvi aquele chorinho que parecia me dizer “mamãe fique calma, eu já estou aqui do lado de fora e agora vai ficar tudo bem”. Nunca um choro me acalmou tanto e me deixou tão feliz.
Em fração de segundos meu coração se desabou numa emoção que eu mal consigo descrever, acho que só quem é mãe sabe entender esse sentimento. Ali mesmo, eu amamentei pela primeira vez aquela linda menina que nasceu medindo 50cm e pesando 3.635g. Naquele momento eu senti um amor que nunca havia experimentado antes. Era Deus me entregando aquela pequena vida e pedindo pra eu tomar conta.
Após passar o efeito da anestesia, nem sei quanto tempo depois, eu e a Maria Clara fomos para o quarto. Eu ainda meio perdida, sob os efeitos dos medicamentos (eu acho), não conseguia entender como aquele serzinho cabia dentro da minha barriga, ela era muito grande para uma recém-nascida. Nem nos meus melhores sonhos eu imaginei minha filha tão linda. Obrigada meu

Deus por tamanha perfeição!

Pode até parecer estranho, mas a alegria de ter minha filha em meus braços se misturava com um medo e uma insegurança tremenda (sim, o danado do medo voltou a me assombrar). No dia seguinte do parto, senti uma cólica muito forte que eu desmaiei de tanta dor (por isso eu tenho certeza que não suportaria passar pelo parto normal).

Definitivamente eu acho que a gente devia ficar pelo menos uns 15 dias na maternidade, contando com ajuda das enfermeiras e médicos à hora que precisasse. O que são 3 dias pra depois você sair dali com um serzinho totalmente dependente de você? Realmente 3 dias não são nada…

Eu não tinha nada que pudesse fazer, eu precisava ir embora, precisava voltar pra casa. Naquela manhã de domingo eu acordei com as mãos geladas e trêmulas (eu não queria sair daquele quarto). O tempo foi passando até que a médica nos deu alta e eu me perguntando onde estava minha alegria?

Porque eu não estava feliz? Meu marido olhava pra mim, me encorajando e eu me sentindo impotente e a pior pessoa do mundo.

Só Deus podia me dar força suficiente para voltar pra casa. Foi quando sentei naquela poltrona de amamentar que estava sozinha e gelada no canto daquele quarto, comecei a rezar tão forte e tão confiante que senti o Espírito Santo inundando meu ser, minhas mãos queimavam de calor… era o Espírito Santo de Deus me ungindo para encarar essa nova fase da minha vida. Depois de quase meia hora chorando e orando eu tomei coragem, coloquei o medo na mala e voltei pra minha casa e iniciei minha nova vida, sendo mãe da Clarinha.

Hoje, três meses depois do nascimento da Clarinha eu consigo ver as fotos do parto e me emocionar, consigo lembrar daquele dia com muito amor.”

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Todos os sentimento que a Grazi contou me fez lembrar o meu 19/08/2015, quando conheci a Bela. Senti tanto medo, tanto pavor, tanta dor… (pelo visto estou devendo meu relato de parte ainda, não é mesmo?).

Muito bom conhecer mais uma linda história de amor, o maior amor do mundo.

Parabéns para Clarinha que chegou em um lar cheio de amor, cheio de vontade de acertar e cheio de carinho!

 {Fotos: Gabriel Trevisan}

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10comentários

  1. Rita de cássia dos santos - 1 de dezembro de 2016 às 16:01

    Parabéns Grazi,mas é isso mesmo que agente sente uma mistura de dor e medo. Mas quando se escuta aquele chorinho td se cura . Bjs . nós mamães somos fortes 😘😘😘

    1. Grazi - 1 de dezembro de 2016 às 19:41

      Verdade Rita, eu me descobri muito medrosa mas também muito forte. Beijos 😘

  2. Cath - 1 de dezembro de 2016 às 17:35

    Grazi, estou aos prantos lendo sua história! Te admito muito e te amo muito! Amo vocês cinco! Apesar da distância, penso em vocês todos os dias! Muita saúde para Clarinha! ❤️❤️❤️🎀

    1. Grazi - 1 de dezembro de 2016 às 19:43

      Ah Cath como seria bom se a gente morasse uns km mais pertinho né? Vc é muiiiito especial pra nós e mora no nosso coração viu. Amamos você ❤

  3. Juliana - 1 de dezembro de 2016 às 18:23

    Nossa que lindo chorei é emocionante maravilhoso Parabéns vocês merecem torço por vocês muita saúde e sucesso sempre😘😘😘😘😘😘😘😘😘

    1. Grazi - 1 de dezembro de 2016 às 19:44

      Muito obrigada Ju. 😘😘

  4. Elane - 1 de dezembro de 2016 às 22:52

    Que história lindaaaa… A gente que não é mãe fica só imaginando como será o nosso rsrs! Parabéns pela família linda. Jesus é perfeito mesmo ❤️

    1. Grazi - 6 de dezembro de 2016 às 04:33

      Obrigada Elane. Eu também sempre imaginei esse momento e apesar do medo e insegurança foi lindo demais. Beijinhos

  5. Graziane - 2 de dezembro de 2016 às 13:30

    Ermã do céu….eu já sabia dessa história por cima, mas agora lendo, da pra ficar #tensa kkkkkk
    Mas Graças a Deus ocorreu tudo bem e vc é uma mãe “super poderosa”….AMO MUUUITO VCS 💛

    1. Grazi - 6 de dezembro de 2016 às 04:35

      kkkkkkk não fique tensa não, já passou e quando for sua vez pode ser totalmente diferente, viu… e medo é uma coisa que dá e passa kkkkkk. Obrigada por tudo, te amo infinito 💛💛