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{Relato de Parto} A chegada da Manu

Hoje vamos dividir com vocês o dia que a Manu chegou ao mundo! Ficamos emocionadas com cada relato de parto que recebemos e o da mamãe Heloísa não foi diferente. Esperar é um exercício e no final da gestação, a ansiedade e o medo, deixam essa espera ainda mais intensa. O tempo não passa e parece que o bebê não quer sair da barriga da mamãe pra conhecer o mundo, mas após um trabalho de parto intenso esse espera terminou e a doce Manu nasceu!

A gestação

“Só de começar a escrever meus olhos enchem de lágrimas. Como descrever o dia mais especial da minha vida? O dia que eu conheci a minha bebezinha Manu. Minha gestação seguiu tranquila e ativa até a 26•  semana, quando comecei a fazer repouso. Foi um período bem delicado! Quando completei 39 semanas de gestação fiquei tranquila: ‘ufa, ela não corre mais o risco de vir antes do tempo.’

Então, comecei a finalmente andar pra lá e pra cá, subir 12 andares de escada do prédio, voltar à pé do hospital que eu ia fazer cardiotoco (exame que avalia o bem-estar fetal) pra ver se o coraçãozinho da bebezinha estava saudável aqui dentro de mim. Comecei a fazer coisas pra ver se animava a bebezinha à querer conhecer o mundo aqui fora.
Antes de encomendar a Manú, eu sempre tive medo do parto, nem me passava pela cabeça ter um, faria cesárea com certeza, mas no final da gestação resolvi assistir um vídeo de um parto normal e uma cesárea. Foi aí que vi que sentiria menos medo esperando a Manú vir do que fazer a cirurgia. Resolvi esperar. Tenho muito medo de cirurgia, agulhas, sangue. Por isso esperei e por que queria que a Manú viesse no tempo dela.

Trabalho de parto

Tudo começou numa sexta-feira, quando saiu uma parte do tampão mucoso. Depois no domingo, no começo da tarde, quando estava saindo para um aniversário. Aí sim, saiu o tampão mesmo e meu médico me deixou tranquila, dizendo ‘só esperar’. Depois de um mês bem ansiosa, quando comprando legumes no mercado escorria uma lágrima sentindo a bebezinha mexer dentro de mim e pensando que não sentiria mais aquilo e não conseguiria protegê-la de tudo com ela dentro de mim, resolvi me apossar da tranquilidade e deu certo, na verdade Deus fez isso dar certo, Ele quis assim.
Naquela madrugada(20) às 5h30 acordei com cólica, achei que indo ao banheiro resolveria. Voltei pra cama e tive cólica de novo, resolvi usar o aplicativo de contrações e percebi um ritmo nelas de 10 em 10 minutos. Aí estava a hora. Resolvi deitar e tentar dormir mais um pouco já que naquela manhã eu teria consulta com o médico, mas é claro que eu não dormi, ficava contando as contrações.
Por volta das 6h15 resolvi tomar um banho. O marido acordou. Estranhou eu já tomando banho. Então falei que achava melhor levarmos as coisas pra passar as próximas noites na maternidade porque eu estava, pela primeira vez, sentindo o que era uma contração. O Thi levou um susto e foi se arrumar. Eu estava num momento tão feliz.
As contrações começaram a espaçar menos e a essa altura já estávamos na estrada indo pra Campinas. Foi a ida à Campinas que mais tenho saudades, rs. Conversando no carro. Falávamos que estávamos indo em dois e voltaríamos em três no carro. Todo mundo fala isso, mas é tão gostoso falar.
Chegando na maternidade, era bem cedo ainda, tomamos café da manhã lá mesmo. Eu sentia as contrações entre uma mordida e outra no pão de queijo, rs.
O médico nos atendeu por volta das 10h30. Fez o cardiotoco, constatou 3cm de dilatação e falou: “ A Manu nasce às 18h. vamos dar entrada na internação”, então pedi para o médico para me deixar ir andar, almoçar e fazer as unhas no shopping (eu me conheço e sei da ansiedade que seria passar pelas próximas horas e deixar as unhas em ordem me ajudaria a não roe-las rs) e que eu preferia internar depois das 13h. Ele riu e concordou.
Fomos para o shopping e as contrações já estavam de 3 em 3 minutos e fortes. Naquele momento eu já sentia como se minha bacia estivesse abrindo. Uma dor mais constante. Segui andando. Distraindo. Fiz as unhas, as mulheres do salão de beleza queriam me mandar embora por que a cada unha feita eu tinha uma contração. O Thiago ia registrando e filmando tudo, ele estava sendo incrível. Aproveitou pra comprar um sapato. Entramos na loja, ajudei a decidir qual seria. Em seguida almoçamos (5 garfadas na comida, naquele momento já não descia muita coisa). A cada passo eu me encostava num pilar, banco ou vitrine do shopping. Essas coisas permitiram que eu me distraísse e ao mesmo tempo me concentrasse sem ficar ansiosa e sentir com menos intensidade a dor que só aumentava.
Às 13h voltamos à maternidade e o médico disse que eu estava com 6cm de dilatação. Foi então que me dei conta do que realmente estava acontecendo, percebi que eu e minha bebezinha estávamos num trabalho juntas! Sim juntas. Estávamos nos esforçando pra nos conhecer dali algumas horas e passei a sentir cada contração com um sentimento muito novo e especial. A cada dor eu pensava “vem minha bebezinha, eu vou aguentar firme e já já eu vou poder te ter nos braços”.
Que momento especial e cheio de significado pra mim. Eu andava de um lado para o outro na recepção da maternidade enquanto meu esposo dava entrada na internação. Ali acho que durou 2 horas. Foram horas essenciais pra mim. Eu não parava de pensar “vem minha bebezinha vem, eu vou aguentar firme” era emocionante e também doloroso. A dor se intensificava ao sentir como se a minha bacia estivesse se abrindo.
Já no quarto, o médico me disse que eu estava com 7cm de dilatação. Resolvi me deitar. A dilatação deu uma estacionada. Resolvi levantar e andar nos corredores entre os quartos. O Thiago me acompanhava e ficava comigo, isso me dava a segurança e a paz que eu precisava ali.
Era muito intenso já e falei pra ele que estava cansada de caminhar e já doía mais forte. Pedi para o médico me examinar e estávamos com 8 cm de dilatação. Às 16h30 perguntei se já poderia tomar a epidural. O Thiago perguntou se eu não aguentava mais um pouco, por que eu não expressava estar com dor para já entrar com a anestesia. Eu estava cansada e pedi. O médico disse sim e falou que íamos para o centro cirúrgico por que minha bebê estava bem próxima e meu pensamento era “vem minha bebezinha vem, eu estou aguentando firme. vem!”.


Às 17h no centro cirúrgico já com a epidural, o médico estourou a bolsa e eu comecei a fazer a força para minha bebezinha vir. Eu fazia muita força mas a bebezinha não vinha. 30 minutos depois e feito força cerca de 10 vezes (não consigo ter certeza se foram 10 vezes, mas minha sensação era que sim) o médico me explicou os próximos passos. Então veio o epísio e ele me disse: “ Faça mais duas vezes força. mas força mesmo e a bebezinha nasce”. A pediatra estava com olhar sério. Foi então que meu mundo parou por um instante. Olhei para o Thiago que estava do meu lado com os olhos cheios de lágrimas e ele dizia: “Ora ora”.
Naquele momento pedi pra Deus a força do céu, pois eu tinha medo ainda de não conseguir. Pedi pra Deus cuidar mais uma vez de mim e da minha bebezinha. Eu precisava conseguir, eu estava cansada. Ter meu esposo ali do meu lado continuava a me acalmar e dar segurança. Veio a contração. O médico dizia: “faça força”. Eu fiz a força e não ela nasceu. Eu continuava com medo de não conseguir. Veio a segunda contração. O médico disse: “ Faça força”. Eu fiz a força e com o cuidado de Deus a bebezinha nasceu e eu dizia: “Thi, ela nasceu. Ela nasceu. Meu Deus minha bebezinha nasceu”.

A gente chorava de emoção. Nasceu quietinha. Não me entregaram a bebê. Eu disse: “ela não está chorando” e no mesmo momento que eu disse isso, a bebezinha chorou e então a pediatra colocou ela no meu colo. Explicou que pela demora pra nascer, preferiu ver se a bebê tinha inspirado mecônio. Mas confirmou que não aconteceu. Com a bebezinha com o rostinho junto ao meu, eu não parava de chorar, olhar pra ela e dizer: “Minha bebezinha nasceu. Nós conseguimos. Você é minha. Obrigada meu Deus”.
Depois que ela nasceu veio uma paz, uma calmaria. Eu e o Thi ficamos grudadinhos nela. Curtindo aquelas mini mãozinhas se mexendo e aqueles olhinhos abrindo e fechando incomodados com a iluminação forte da sala. Sabe quando nada mais importa? Só aquilo ali. Só ela ali.

No dia 20 de junho de 2016, às 17h53, a Manuela nasceu pesando 3.355 kg e medindo 50cm de pura doçura. Depois de 40 semanas e 1 dia de espera. Minha preciosidade. 20 de junho de 2016, às 17h53, o dia que eu me tornei mãe e o Thiago se tornou pai. Foi o dia mais emocionante das nossas vidas! Que privilégio e que benção concedidos!
Agora provamos do maior amor do mundo e somos loucos pela Manú.
No total foram 12 horas de trabalho de parto. Uma dor suportável. 1 hora fazendo força junto com a Manú( prefiro chamar assim). 2 pontos de episio e 2 pontos de laceração. Agradeço à Deus todos os dias por ter me dado minha bebezinha Manú para cuidar e amar.”

 

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3 comentários

  1. Vi no relato de parto da Manu que a mamãe dela fez episiotomia mesmo já tendo dilatação. Eu já li muita coisa (ruim, diga-se de passagem) sobre o corte na entrada da vagina. Que ele é geralmente desnecessário, usado mais pra acelerar o parto por impaciência médica do que qualquer coisa. No caso dela, porque foi necessário? Fico pensando se fosse comigo eu não ia lidar bem. Ia até colocar no plano de parto que me oponho totalmente ao método. Então, como foi pra chegar nessa decisão?

    1. Eu já tinha dilatação de 10 cm e a cabeça do meu bebê já estava na prestes a sair quando eu comecei a empurrar. Eu estava com epidural. Empurrei por uns 25 minutos com a maior força do mundo até meu bebê nascer. Ele nasceu com a cabeça beeem grandinha. Os médicos não fizeram episiostomia e eu tive laceração de terceiro grau. Não tive nem curiosidade de perguntar quantos pontos eu levei mas o reparo demorou aproximadamente 1 hora. Hoje meu bebê tem 4 meses e eu me sinto ótima. Eu acredito que a laceração natural que eu tive cicatrizou muito bem e eu não tenho do que reclamar. Sei que cada caso é um caso, e no meu caso eu olho pra trás e me sinto bem de não ter tido episiostomia e de as coisas terem acontecido como aconteceram. Até mesmo porque os meus médicos me disseram que a episio não teria evitado a laceração natural.

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Junia Lane