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{Relato de Parto} Cesárea Humanizada

O Relato de Parto de hoje, contado pela mamãe Vivian, é de arrepiar! Ela compartilha de cada dor sentida e na importância que encontrou em viver o parto HUMANO, no tempo do bebê e seu.

“Quando fiquei grávida, queria muito que, principalmente, fosse HUMANO! Me preparei para um parto normal e, ao longo do relato que tenho feito no Instagram, todos têm achado que o final será como se espera: um parto NORMAL. A minha preocupação não era essa, eu queria um parto humano. Tive muitas más lembranças do primeiro parto e que me fizeram sofrer até dias antes do segundo parto. 

Essa experiência me fez parar de olhar para os outros e olhar para mim. Conhecer o meu limite. Me respeitar. E por zelar por isso, no fim, acabei tendo uma cesárea HUMANIZADA! 

Não me sinto menor nem mais fraca por isso. Lutei e me doei por completo, e hoje não carrego nenhuma frustração ou tristeza. Porque o respeito e amor que recebi foram sem medidas!”

A espera

“Confesso, estava ansiosa em um nível difícil. 39 semanas e 4 dias, tudo tranquilo e parecia que nada aconteceria. 

Chorava pelo medo de não experimentar entrar em trabalho de parto. Não queria ficar em casa. Enjoada de tudo, fui fazer o último exame de sangue de rotina pré natal e fui andando até o trabalho do meu esposo, umas 3 quadras… 15 minutos de leve caminhada sentindo a brisa do mar. Estava tudo bem!  

Nesse dia ouvi inúmeros comentários desnecessários, daqueles que você não precisa ouvir:  

‘Nossa, você tá enorme, parece dois!’; ‘tá muito alto, não vai entrar em TP’; ‘nossa, esse neném não vai nascer não?!’. 

Nesse momento, tudo que queremos é palavras de conforto, e foi tão chato isso! 

Passei aquela tarde sentindo umas dores nas costas, coisa leve! Ficamos montando o álbum de bebê do Samuca. Voltamos pra casa! Fiz tudo normalmente e deitei. 

02:38h da manhã eu levantei querendo ir ao banheiro, mas nem cheguei lá. Foi só o tempo de levantar da cama e splash, uma “aguarada” jorrou no chão do quarto! Minha bolsa estourou. Era um liquido clarinho, diferente. Um líquido que me fez sentir a confiança de que Deus estava me dando o que pedi. 

Thiago logo acordou e viu tudo! Nos beijamos e agradecemos a Deus por mais esse mimo. 

Fiquei no banheiro, esperando grande parte do líquido dar uma trégua e seguir com as tarefas (terminar as bolsas, Thiago fazer a mala dele!). Liguei pra médica, pra doula, pra fotógrafa e pro meu pai. 

A médica me tranquilizou e disse para ir pro hospital quando pudesse. A Claudinha, a doula, me acalmando de longe e me preparando pra sua chegada. A Grazi, prontamente atendeu o telefone e disse: estou indo! Isso eram 3:40h da manhã!  

Eu fiz  duas vezes nesse tempo. Morria de medo de fazer cocô no trabalho de parto expulsivo. Nessa hora vi que o corpo sabe trabalhar de uma forma incrível!  

Logo a Grazi chegou e, além de fotógrafa, ainda fazia massagens na lombar para aliviar. 

Samuca que todas as últimas noites foi parar na nossa cama na madrugada, naquele dia, dormiu o tempo todo na cama dele. Acordou às 7h da manhã, me viu com dores e logo entendeu que o irmão estava chegando. Me fez massagens nas costas do jeitinho dele. Tão carinhoso e participativo. 

Meu pai veio, buscou ele para que eu ficasse tranquila! Precisava saber que o Samuca estava bem pra me concentrar para aquele momento. Logo depois a doula chegou. Claudinha em toda a sua calma e carinho, me fazendo sempre lembrar de tudo que nos preparamos para viver. Muita dor. Resolvemos ir para o hospital.

 O sacolejo do carro não me deixava concentrar. Tentava manter os ombros relaxados, mesmo no apertinho do nosso carro e a dificuldade do caminho que 20 minutos parecia uma eternidade. 

Chegando lá, entre uma contração e outra, a dor que me fazia lembrar que logo teria o Noah nos braços. Não seria fácil, mas seria incrível. Seguíamos os planos. Me programei para ficar em casa o máximo que consegui. Esse foi meu máximo. Minha médica já estava me esperando. Fizemos então uma avaliação, e desde a hora que a bolsa rompeu, às 2:38h da manhã até às 10:30h, só tínhamos chegado a 3cm de dilatação. 

A médica não me deixou desanimar. Foi otimista. Seguimos. Perguntaram se eu queria ir embora pra casa e voltar quando evoluísse, eu disse que não! A dor era muito grande, não ia aguentar voltar. 

Passamos alguma parte da manhã acompanhando os batimentos do Noah. Entre uma forte contração e outra, um abacaxi, muita água, um chocolate e até um bolinho que eu odiei  

Eu já estava fraca. Toda a forma de dar uma corada no meu rosto estava valendo. 

O trabalho de parto

O hospital estava cheio, era virada de lua, e até irmos para o quarto, tentativas de amenizar a dor experimentávamos. Andava de um lado pro outro, ainda estava forte. Ouvi de uma enfermeira: você é privilegiada. Queria ter experimentado essa dor. Isso me reafirmou tudo que estava vivendo. Eu queria aquilo. Eu me preparei para aquilo. 

Ao mesmo tempo que sentia dor, estava em contato com gestantes que estavam em um TP mais evoluído que o meu sem nenhuma dor. Novamente voltava a olhar pra mim. Lembrava que a dor trazia o Noah pra mim. Que cada corpo reage de uma forma e que mensurar a dor só eu posso fazer com base no que sinto. Chega de olhar ao redor, de pensar nas histórias que li e ouvi nos últimos meses. O que importava era o que eu estava vivendo. A minha experiência e o meu desejo. 

Fomos para o quarto. Lá a primeira opção era o chuveiro e água quente. As dores eram fortes. Já estávamos a 10h em TP, ainda em 3cm de dilatação e confesso, por mais que tivesse passado nove meses trabalhando a mente e o corpo, eu já não sabia de onde buscar forças. Eu não duvidei que seria capaz, mas minhas forças estavam esgotando. Ali vi que cada um tem seu estágio de dor, seus limites.  

A minha médica veio, e eu pedi a analgesia. Eu que me preparei para ir até o final sem, vi que quando a gente vive a experiência, pode ser diferente. E não tem nada de errado nisso. É claro, tinha a preocupação de demorar ainda mais a evolução, mas eu precisava. Todos concordaram. Enquanto esperávamos ainda no quarto, em meio a muita dor, tentava várias posições que pudessem amenizar o desconforto.

Subi na cama, recebi massagens com óleos, apertos fortes nas costas e quadril, tentava relaxar o ombro e aceitar a contração, aceitar o corpo, sentir. De barriga para baixo, vomitei. Levantei. Desci da cama, me ajoelhei. No chão fiquei. Não tinha mais forças.

Enfim, analgesia. Me deu paz, eu precisava. Esquecendo os outros, as teorias e a pressão que as vezes invade nossa mente em querer que tudo saia conforme está nos planos. Não! Não podia mais me comparar a outros! Olhando pra mim. Dormi e descansei. Me renovei. Até gracinha e piadinhas fiz. Virei melhor amiga da anestesista. Queria ela mais perto de mim do que o meu marido. 

Relaxei o que eu precisava para o que ainda íamos viver. Após uma hora de analgesia cheguei a 7cm de dilatação. Meu coração e minhas esperanças se renovaram. Estava chegando. 

Eu passei todo o TP ouvindo minhas músicas. Ouvi de pessoas que na “partolândia” a gente não quer nada, mas eu tinha certeza que queria minhas músicas. Ouvi elas em casa, no quarto, na sala de analgesia, na sala de pré parto. Aquilo que estava alimentando minha alma. Eu ainda não sabia o que viria pela frente. 

Ali, naquela sala que tanto almejei entrar, ansiava pela luz baixa e o Thiago, meu marido, pela possibilidade da banheira. HAHAHA tadinho, não ofereci isso pra ele. Já estava com os cateters da analgesia. Fiquei devendo! Hahaha  

As dores lentamente voltavam e eu tentando me manter focada no que estava prestes a acontecer. Já deitada na cama, era a posição que eu queria estar. Mas eu precisava andar, precisava me mexer. Aos poucos chegava aos 8cm. Aquilo era uma injeção de ânimo.  

A analgesia passou, e as dores mais intensas e fortes que já senti vieram. A bexiga estava cheia, precisava fazer xixi. Fui ao banheiro e lá fiquei sem ter forças para levantar. Queria desistir. Só queria o Noah nos meus braços. Eu sabia que era isso que eu queria. Já estávamos beirando as 20h de TP e ainda com muita dificuldade de avançar aos 9cm de dilatação. Foi quando ouvi de uma voz doce: “Você quer ouvir louvores, Vivi?” Era a Grazi, falando o que eu precisava ouvir. Prontamente eu disse: SIM!  

O Thiago correu para colocar a música que ele sabia que era o que eu precisava ouvir.  

Saí do banheiro em dor e fui tomada por uma força que só posso dizer: era DIVINA. Ao som de ‘What a Beautiful name ‘- Hillsong eu LOUVEI A DEUS. Foi um dos momentos mais emocionantes daquele dia. Quando o TP de parto começou em casa, eu fiz uma oração e pedi para que esse fosse um momento para enaltecer o nome do meu Deus e que a vida do Noah viesse pra isso. Não tenho dúvidas que ali Deus estava pra me dizer: cuidei de você o tempo todo e continuarei fazendo. 

Cheguei aos 9cm. 

Já estávamos a 20h em TP e apesar de estar em 9cm, o Noah estava alto.  

Em alguns momentos, mesmo com 9cm, sentia uma queimação como se quisesse empurrar. A médica avaliou e falou: “Vivian, se você sentir vontade de empurrar, empurra!” 

Eu sentia o Noah bem abaixo, queria empurrar. Agachada, por umas cinco sequências de contrações, empurrei forte. Eu não tinha mais forças e não conseguia mais. Havia chegado no meu limite. Deitei e conversei com Deus mais uma vez. Agradeci a Ele por ter chegado até ali, por estar sendo tratada com tanta humanização, tanto respeito, mas eu não tinha mais forças. Naquela hora, mais uma vez, eu vi que temos os nossos limites e precisamos respeitar.  Eu pedi a cesárea. Sem culpa, mas por não ter mais forças. Ali cheguei ao meu limite.

Cesárea humanizada 

As vezes somos tomados por sentimentos que nos fazem pensar que certas decisões que tomamos são erradas. Mas só nós podemos dizer o que é melhor para nós. Não é a via de parto que definiria para mim o caminho certo para a chegada do Noah. Era a HUMANIZAÇÃO. Eu temia uma cesárea de rotina, porque na minha primeira experiência fui levada a isso. Olhar a cicatriz da chegada do Samuel me doía. Não sabia lidar com esse sentimento que me atormentou nos últimos 3 anos.

Ouvir em uma sala de pré-parto: ‘vamos ver quem vai jogar a toalha, se é você ou eu’ da obstetra que me acompanhou me atormentou todo esse tempo. Eu precisava viver tudo de novo e tomar minhas próprias decisões não por ser coagida pela médica, e sim porque julgava que fosse melhor para mim e para meu bebê. E dessa vez foi diferente. 

Eu pedi a cesárea e todos tentaram me convencer do contrário. Já havia se passado 20h de TP, eu estava dilatada 9cm, já tinha empurrado. Por que não tentar mais? Porque eu já tinha chegado no meu limite.  

A equipe ainda tentava me convencer do contrário e eu chamava pela minha médica. Eu sentia que a equipe tentava retardar o nosso encontro, tipo: ela vai conseguir. 

Naquela hora em que todos na sala de parto tentavam me convencer do contrário, Thiago pediu para que todos saíssem e lá ficou apenas eu, ele e Deus. Eu pedi pra Ele mais uma vez. Eu já estava esgotada e aos prantos pedia para acabar. Em hora nenhuma me senti fracassada ou fraca pelo meu pedido. Mas eu sabia que ali tinha dado tudo que poderia dar. Ele tinha medo de ser um pedido do momento, e eu me frustrar de novo com tudo. 

Foi então que ele calmamente fez uma oração onde entregávamos TUDO nas mãos de Deus mais uma vez. 

A minha obstetra entrou na sala e conversou com a gente. Perguntou se eu não queria continuar tentando e eu falei que eu não tinha mais forças. Ela me animou e disse: “Nunca farei nada contra a sua vontade. Estou aqui para te apoiar. O Noah está bem e entendo o seu cansaço e sua dor. Ninguém pode falar por você, apenas você sabe. Eu vivi isso. Tentei por três vezes partos vaginais e no fim passei por três cesáreas felizes. Se é isso que você quer, vou te respeitar. Quero te dizer que você terá o Noah nos braços do jeito que você sonhou. Vamos levar sua música para o centro cirúrgico, vamos ter meia luz como pediu, você vai tocar nele, eu vou abaixar a tela pra você ver ele saindo, o Thiago vai cortar o cordão e você terá seu tão sonhado Golden Hour. Você terá seu parto HUMANIZADO como merece, e como sonhou.”

Aquilo para mim foi o que eu precisava para seguir. 

Fomos para a sala de cirurgia e lá tomei a dose da anestesia para o procedimento. Antes disso, a minha médica fez o último toque para ter certeza: “vamos Vivian, ele está aqui embaixo, vamos tentar mais um pouco.” Mas ele seguia alto e ainda era uma incógnita.

Seguimos para o plano B. Ali, com ar condicionado reduzido, não me sentia em uma sala fria e cheia de procedimentos. Me sentia tranquila. As luzes foram diminuindo até ficar tudo bem confortável. A minha música começou a tocar. Meus braços estavam livres, esperando a qualquer momento receber meu Noah. Os louvores que tanto me impulsionaram a confiar que Deus estava ali comigo. Tudo começou. 

Logo ouvi: “vamos abaixar a tela para você ver o Noah sair, ele está chegando! Qual música vai tocar quando ele sair? Já podem colocar! ” 

A tela foi abaixada e pude ver meu menino. Ao som de mais uma vez “what a Beautiful name”, pude sussurrar a música. Agradecer. Pude tocá-lo. Thiago também o tocou. Ali, bem baixinho, agradeci a Deus e sussurrei minhas palavras de benção para Aquele que veio nos ensinar a descansar no Senhor. Aquele contato pele a pele que tanto sonhei aconteceu. Ele estava ali comigo. Perfeito, cabeludo, grande e saudável. Eu só conseguia agradecer. 

Thiago pode cortar o cordão e ali passamos minutos especiais inesquecíveis.

Em meio a esse turbilhão de coisas que vivi nas últimas horas, eu só conseguia aceitar o meu, sem olhar para o lado. Agradecer somente olhando pra cima e ver que estava prestes a viver os melhores dias das nossas vidas com o Noah que veio me ensinar a viver tudo que eu posso da forma que eu posso.  

A via de parto não me fez menos forte, não me rebaixou a me sentir impotente ou despreparada. Eu fui respeitada, empoderada, amada. A minha experiência me reconstruiu por inteiro.” 

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Fotos: Um novo olhar

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3 comentários

  1. Nossa que coisa mais linda e emocionante…
    Parabéns pelo lindo relato, que o Senhor abençoe vocês cada dia mais…
    Você foi e é uma guerreira, corajosa e amada por Deus.

    Parabéns Lápis de Mãe por nos proporcionar histórias tão lindas e emocionantes…

  2. É isso! Não necessariamente precisamos ter um parto normal a qualquer custo. Queremos ser tratadas com amor, com respeito! Que nossos filhos nasçam em um ambiente caloroso e rodeado de afeto. Me emocionou muuuito esse relato de cesária humanizada, porque é assim que eu espero ser tratada se não for possível trazer ao mundo o meu bebê por meios “naturais”. ♥ Você foi incrível Vivian! Uma super mamãe! ♥

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Junia Lane