Cama compartilhada – como pensei viver sem?

Quando estava grávida da Bela eu tinha certeza que a cama compartilhada não rolaria por aqui. Queria fazer tudo certinho, acostumar a Bela no bercinho dela, manter (a medida do possível) a nossa rotina de sono e claro, não mudar o conforto da nossa vida a dois. Não compramos o tal do “moisés” (ou o berço portátil para cama) e foi um grande arrependimento. Na primeira noite da Bela em casa, Diego e eu, dois perdidos, sem saber o que fazer e com muito sono, não tínhamos a menor coragem de deixar a Bela no bercinho (tãããooo grande) e ir deitar na nossa cama. Também não nos programamos para uma segunda cama no quarto (meus pais e minha irmã estavam em casa e não tinha cama extra) e acabamos criando um bercinho provisório no nosso quarto: a banheira (nunca usada) da Bela. Base de travesseiro, mantinha quentinha e do ladinho da nossa cama. Morríamos de medo de coloca-la no nosso meio, era tããão miudinha!

No dia seguinte nos reorganizamos e já demos um jeito de ter a Bela do nosso lado! Hoje eu fico olhando aquelas caminhas que ficam entre os pais e já penso que será essencial para o segundo filho (olha aí, estou falando sobre o segundo bebê, rs).

O ser humano tem uma facilidade incrível de esquecer as coisas ruins, os momentos de dificuldade. Não lembro direito das noites em claro, sei que existiram e que eram madrugadas delicadas, mas os detalhes, o tempo que gastávamos acordados no processo de troca de fralda, mamazinho e posição para arrotar, nem vem mais ao caso.

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Quando a Bela completou um mês ela já esticava umas 4 ou 5 horas seguidas de sono a noite. Decidimos que era hora dela ir para o bercinho. Ela ficava na nossa cama até pegar no sono e depois, no início da manhã. A cama compartilhada estava instaurada, pelo menos por um período. Lá para os 6 meses a Bela, que dormia 10 a 11 horas seguidas (que sonho!) resolveu mudar completamente e passou a acordar diversas vezes na madrugada. Pensamos que fossem os dentinhos, talvez um pico de crescimento, quem sabe a introdução alimentar… Os dias, semanas se passaram e nada mudou. A cama compartilhada estava instaurada por completo.

De certa forma foi “obrigatório”, rs. Eu precisava dormir e levantar várias vezes estava super cansativo. Deixa chorar nunca foi uma opção na minha cabeça. Oficializamos o colchão do Diego no chão do quarto e ficamos assim por alguns meses. Diversas noites demos risadas ao olhar para a Bela no centro da cama e nós dois no chão, falando baixo e aproveitando os momentos a dois. Um ser de 60cm já tinha dominado o nosso mundo. Mudamos de casa e resolvemos deixar o berço da Bela grudadinho na nossa cama, sem um dos lados da grade. Ela não gostou muito não, mas acostumou com o tempo. Passamos por muitas fases: Bela dormindo sozinha no berço, Bela dormindo entre nós na cama, Bela dormindo mamando deitada na cama, Bela dormindo mamando na poltrona, Bela dormindo após muito cansaço escalando a gente, e assim vai… Atualmente o primeiro soninho é no berço, mas quando acorda de madrugada só fica bem se estiver grudada em nós. O problema todo é que a menininha gosta de dormir atravessada, toda espaçosa (mas que delícia é sentir suas mãozinhas no meio da noite!)

Acostumamos, gostamos e não sabemos até quando vai durar. Sinto que ela precisa da nossa presença, da nossa companhia e eu me sinto tão segura em vê-la dormir (e também aproveito cada segundo da fase de bebê). E tem mais, a nossa casa nova é tão gelada que nos dias mais friorentos todo mundo se esquenta. As manhãs são regadas de sorrisos. A Bela sempre acorda antes do Diego ir para o trabalho e esse é um momento muito gostoso de nós 3 (sempre ganhamos muitos beijinhos), em seguida ela mama e dorme de novo. Quem resiste a um cama quentinha após o “café da manhã”? Que vida deliciosa! rs.

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Cama compartilhada só dá certo quando a ideia é boa para os pais e para o bebê. Antes eu achava estranho imaginar um bebê dormindo entre nós. Hoje (pelo menos até agora) eu gosto de acordar e ver que tem um bebê (na verdade, um anjinho) seguro e muito feliz ao nosso lado, mesmo que isso me custe algumas dores no pescoço e coluna, rs. As vezes que ela acorda para mamar (uma média de 2 a 3 vezes) quase não tem chororô e eu não desperto por completo. Mesmo tendo o sono pausado, grande parte das manhãs acordo bem (na verdade, trabalhar até de madrugada nos blogs é bem mais cansativo do que acordar para amamentar).

Não sabemos e não decidimos quando iremos colocar o berço da Bela no quartinho dela, quem sabe quando ela desmamar, não sei… Talvez essa fase ela precise mais de nós, que difícil dizer. Mas, por quê estipular uma data? Tenho aprendido que seguir o curso natural das coisas vale muito mais a pena. Por enquanto seguimos com a cama compartilhada e não tenho medo quando me falam: “meu irmão ficou dormindo com a minha mãe até os 13 anos, então acho melhor ela ir pro quartinho”, rsrsrs. Histórias e mais histórias. Provavelmente essa mãe deveria adorar, ela só não admitia.

Uma das melhores lembranças da minha infância é na cama dos nossos pais: nós 4 (e cabia direitinho!) Não dormíamos a noite inteira lá, mas era uma farra tão boa, conversas tão leves, engraçadas e despretensiosas… Quero isso para a Bela, para a nossa família. Quero a minha cria agarrada comigo enquanto puder. Estamos formando suas asinhas. Logo logo ela vai voar, mas o ninho estará sempre aqui, cheinho de amor (e muito quentinho).

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obs: não falei sobre a importância da segurança da cama compartilhada, mas não esqueçam, ok? Algumas dicas aqui. 

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4comentários

  1. Natália Santos - 9 de setembro de 2016 às 11:46

    Engraçado como a gente se planeja para a chegada de um filho né, faz planos e planos, mas a gente não tem a mínima ideia de como vai ser antes de tê-los em nossas vidas. Comigo foi a mesma coisa com a cama compartilhada, até compramos o moisés, e nosso bebê até dormiu até os quatro meses nele, mas agora ele parece tão pequeno (é para até 13kg) e colocá-lo no berço no quartinho dele sozinho dá um aperto no coração, e ele também mama de madrugada então deixá-lo do nosso lado facilita muito, e como vc disse é tão gostoso sentir as mãozinhas dele nas costas de madrugada (embora não consigamos dormir direito por medo) tem sido noites maravilhosas, quando está quente o marido dorme num colchão na sala, e a cama é só nossa ahaha, é só felicidade. Desculpa aí o textão… é que quando o assunto é filhos a gente se empolga ahaha!

  2. Hérica - 9 de setembro de 2016 às 15:16

    Cada mamãe sabe o melhor para seu bebê. O importante é sempre fazer algo que seja bom para ambos. Muitas regras, dicas, críticas rs não cabe a todas as famílias. Uma coisa eu aprendi… É bom ouvir tudo! E tirar proveito do que venha a contribuir para educação e desenvolvimento dos pequenos.

  3. Fernanda Stefani - 10 de setembro de 2016 às 18:55

    Sou educadora, filha e esposa. Não sou mãe!
    Quando se fala em cama compartilhada, sou a primeira a apoiar a ideia. Kkkk Em minha casa (dos meus pais) eu e meu irmão dormíamos em uma cama que ficava dentro do quarto dos meus pais. Vale ressaltar que não era po falta de espaço e sim pq a mamãe gostava de todo mundo junto e já grandinhos a cama não dava mais. Na fase de nos acharmos independente reivindicamos NOSSO quarto e NOSSA cama. Não demorou muito para começarmos a sentir falta do melhor lugar da casa: A cama dos pais!
    Crescemos e continuávamos a ficar enrolando lá naquele lugar delicioso. Meu pai falava: ” Ahhh! Vcs já são adultos… Vão pra cama se vocês.” E minha mãe defendia: ” Ô meu velho, deixa eles aí, eles um.dia vão casar e não terão mais nossa cama” Assim aconteceu. Meu irmão casou primeiro e eu tinha agora a cama só para mim. Desde então dormir na cama até um dia antes do meu casamento.
    Naquele lugar cresci segura, recebi muito carinho, muitas cócegas e muitas broncas tbm ( no dia da bronca eu corria pra minha cama, mas de manhã cedo eu voltava kkk). Depois de casada, vou a casa de minha mãe (infelizmente meus pais se separaram) e preciso deitar, nem que seja rapidinho.
    Claro que cada um cria os filhos como quer e pode, mas pais, quando casamos a única coisa que levamos são as lembranças. Vocês ficam e nós vamos embora. Então…….. Deixem eles dormirem! Aproveitem cada momento, pois passa rápido. E como passa rápido!!! E hoje??? Hoje quando a saudade aperta, o medo vem, a tristeza bate: Vou correndo (em pensamento) para a cama dos meus pais, pois é o meu melhor refúgio.

  4. Joyce Nascimento - 11 de outubro de 2016 às 20:18

    Muito inspirador!! Adorei!!