As Mudanças no Casamento com a Chegada dos Filhos

Uma criança, por mais que seja planejada, muda o relacionamento do casal. Toda rotina, o tempo de lazer e namoro são remarcados. O humor muitas vezes vai embora, o cansaço toma conta e, sem querer, descontamos nas pessoas que mais amamos.

Nesse momento da vida a dois surgem muitos questionamentos e discórdias. Por isso, hoje trouxemos a querida psicóloga Juliana Gomes – que já falou sobre depressão pós-parto por aqui e deu algumas dicas como contorná-la – para falar um pouquinho do assunto, que é interessante tanto para os papais quanto para as mamães.

Se você está grávida e tem medo dessa fase, vale a pena se preparar e tomar algumas precauções. Se você já está vivendo intensamente tudo isso, compartilhe com seu marido, entre em contato com a Dra. Juliana, se informe, corre atrás e peça ajuda para passar por esse momento tão delicado.

O homem e a mulher se conhecem, começam a namorar e decidem se casar. É o começo do “viveram felizes para sempre”, certo? Nem tanto… São duas pessoas com opiniões, criações e vivência diferentes, então é preciso muita adaptação do casal para esse início da vida juntos.

Com a chegada do filho (ou filhos), não é diferente. Sem dúvidas os filhos trazem muitas alegrias para a vida do casal, mas também causam mudanças na relação, então é preciso que os dois tenham muita cumplicidade para que não seja o fim da relação.

Após o nascimento do bebê, a rotina e a relação do casal mudam. Já que o bebê exige atenção, o homem e a mulher (agora pais) ganharam novas funções e tudo passa a girar em torno das exigências do recém-chegado.
No começo, os passeios românticos, o tempo a dois e a vida sexual diminuem, pois o bebê precisa ser alimentado, suja fraldas, sente cólicas, chora e acorda com frequência, sobrando muito pouco tempo livre. Uma sugestão para conseguir fazer tudo isso, é: planejar uma rotina.

O casal precisa se reorganizar, para o bem da relação. A mulher acaba se desgastando com a quantidade de responsabilidade, além das alterações hormonais que mexem com a autoestima e com a saúde psicológica. Já o homem se preocupa com a estabilidade da família e ambos ficam sem qualidade de sono. Diante disso, a libido da mulher diminui, o que é normal devido a todos os acontecimentos, e ela só tem olhos para a criança. Com isso, o marido fica de lado e aí surge a crise.

No entanto, não dá para deixar o casamento perdido no meio disso. O casal precisa se enxergar como homem e mulher, além do papel de pai e mãe. Toda relação precisa de atenção! Isso significa arrumar tempo para o casal, e sair para jantar de vez em quando, compartilhar angústias, viajar juntos, dividir as pressões do dia a dia e ter uma hora para conversar.

Uma outra sugestão é pedir a ajuda de alguém para dividir as tarefas, tanto domésticas quanto com o bebê, isso ajuda a administrar melhor o tempo. Não se sinta culpado(a) por pedir ajuda, desde que o bebê esteja sendo bem cuidado, não há problemas.
A mulher precisa de ajuda, não dá para fazer tudo sozinha. O companheiro é pai e é importante que ele também faça as tarefas. Quando o marido está envolvido com as tarefas, o relacionamento melhora para ambos.

É importante se dedicar ao relacionamento do casal para o crescimento saudável da criança. A família, isso inclui o filho, só estará bem se o casal estiver bem. Toda essa dedicação ao filho causa vontade de um tempo sozinho, só seu. Cuidar da casa, do bebê, trabalhar e estar pronta para receber o marido em casa não é fácil. Algumas vezes pode ser difícil se comunicar, e ter a ajuda de um profissional pode ser muito bom para a saúde emocional da família, além de ajudar a aproveitar a nova fase.

O nascimento do filho não deve ser responsabilizado pelo sucesso ou fracasso do casamento. Mas os conflitos da maternidade e paternidade podem despertar o que estava esquecido na relação a dois. Por isso é importante conversar, ser companheiro e cultivar o amor. Lembre-se que a maneira como você lida com o seu relacionamento irá influenciar na forma como o seu filho irá lidar nos relacionamentos dele, e que a sua felicidade também é a felicidade do seu filho.

 

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Foto 1: Ítalo César
Foto 2: Junia Lane
Foto 3: Mika Amato 
Texto: Psicóloga Juliana Gomes

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5comentários

  1. Natally - 10 de agosto de 2017 às 13:47

    Oi meu nome é Natally, sou mãe do Joaquim de 4 meses e esposa do Cristiano à 8 anos.
    Estamos pasaando por um período bem difícil, e não estou sabendo lidar nem onde pedir ajuda. As finanças estão comprometidas com algumas dúvidas e acaba desgastando ainda mais esse início de novos pais. Tem hora que só quero dormir, ou chorar. A parte sexual também não anda bem, realmente não sei o que fazer…

    1. Juliana - 11 de agosto de 2017 às 14:21

      Oi Natally,
      o ideal é que você procure uma orientação médica. Este início é complicado mesmo, e com todas as alterações hormonais as coisas ficam mais instáveis. Um médico pode investigar se suas taxas hormonais estão normais e até uma depressão pós-parto.
      Dívidas acabam desgastando mesmo, mas tente não se sobrecarregar com isso. Você já tem bastante preocupações, não é bom se cobrar ainda mais. Tente ser mais paciente e tolerante consigo mesma.
      Converse com o seu marido, ele pode/deve te ajudar com isso. Tanto te ouvindo e conversando contigo, quanto assumindo as responsabilidades domésticas e do bebê.
      Há alguns lugares onde você pode pedir ajuda. Se for com as atividades do dia-a-dia, como em casa por exemplo, você pode pode pedir ajuda para familiares ou algum amigo de confiança.
      Se for ajuda sobre problemas, dúvidas, angústias ou preocupações, você pode procurar ajuda psicológica. Os postos de saúde e pronto socorros (AMA, UPA – dependendo de onde você mora) costumam ter psicólogos. Nas faculdades/universidades também tem atendimento psicológico e plantão psicológico, são atendimentos gratuitos ou há preços simbólicos.
      Se quiser ou precisar, também pode me chamar. O importante é que você tenha um suporte, pra não passar por tudo isso sozinha.

  2. Sabrina - 10 de agosto de 2017 às 15:02

    Sou Sabrina e tenho um filho, vinicius, de 3 anos e meio.
    Quando meu filho nasceu, eu me sentia muito pressionada. Eu já tinha as obrigações do dia a dia, como cuidar da casa e trabalhar e depois do meu filho eu tive que continuar fazendo isso e cuidar dele. Meu corpo também mudou muito e eu não estava feliz, e isso aumentava as pressões sobre mim. Minha mãe sempre me falou que não é porque a mulher teve filho que tem que andar desarrumada, que meu marido me conheceu arrumada e eu sempre deveria estar assim, e por isso eu ficava mais sobrecarregada.
    Eu não conseguia dizer isso pra ele e me senti angústiada a maior parte do tempo, até meu filho fazer 2 anos e eu colocar ele na escolinha.

    1. Juliana - 11 de agosto de 2017 às 15:00

      Oi Sabrina,
      na nossa sociedade, muitas vezes a mulher acaba sendo a mais sobrecarregada, mas não precisa ser assim. Não vá além do seu limite e não tente fazer tudo sozinha.
      Sobre esse pensamento de que você deve estar sempre arrumada, muitas pessoas pensam assim mesmo, mas você deve se arrumar por você, pra você. Não é apenas se arrumar, mas se cuidar, pra que você se sinta bem. Seu marido deve gostar de quem você é, e não do que você aparenta.
      Depois da gestação o corpo muda mesmo, isso é natural.
      Converse com o seu marido a respeito, não só da aparência, mas sobre todas as suas preocupações e angústias. Todo relacionamento precisa de diálogo, principalmente o de marido e mulher. Talvez você esteja se cobrando por coisas que acha que ele pensa, quando na verdade as preocupações dele são outras.
      Não tente fazer tudo sozinha, divida as tarefas com o seu marido, ele também mora na casa e o filho também é dele. Se isso for complicado pra vocês, contrate alguém pra fazer as atividades domésticas e até ajudar com o bebê – não há nenhum problema nisso.
      É importante que você tenha um tempo pra você, pra se cuidar, descansar, se distrair e espairecer. Isso ajuda a aliviar as angústias e melhora sua autoestima.

      Qualquer coisa é só chamar.

  3. Hellen - 16 de agosto de 2017 às 07:20

    Não sei mais o que fazer…
    Minha filha de quase 6 anos não fica na cama sem a mim ou o pai até que ela durma. Daí, não tem sobrado tempo para mim e meu marido. Pois nesse meio tempo um de nós já dormiu…
    Preciso de um truque para que ela durma sozinha.
    Isto está desgastando muito nossa relação.